UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Uma paciente com lúpus eritematoso sistêmico, diagnosticada há seis meses, evolui atualmente com hematúria microscópica, proteinúria de 1,2 g/24h e creatinina sérica de 1,7 mg/dl. Quanto a essas manifestações renais, é CORRETO afirmar que:
LES com proteinúria >0,5g/24h ou elevação creatinina → Biópsia renal para classificar nefrite lúpica e guiar tratamento.
Em pacientes com Lúpus Eritematoso Sistêmico, a presença de proteinúria significativa (>0,5 g/24h) ou disfunção renal (elevação da creatinina) indica envolvimento renal grave, a nefrite lúpica. A biópsia renal é essencial para classificar histologicamente a nefrite, determinar a atividade e cronicidade da doença, e assim guiar a escolha do tratamento imunossupressor mais adequado.
A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves e comuns do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), afetando até 60% dos pacientes e sendo uma das principais causas de morbimortalidade. O envolvimento renal pode variar desde alterações mínimas assintomáticas até glomerulonefrite rapidamente progressiva, levando à doença renal terminal. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para preservar a função renal. No caso apresentado, a paciente com LES recente (6 meses de diagnóstico) evolui com hematúria microscópica, proteinúria significativa (1,2 g/24h, indicando síndrome nefrítica/nefrótica) e elevação da creatinina sérica (1,7 mg/dl, sugerindo disfunção renal). Esses achados são fortes indicadores de nefrite lúpica ativa e progressiva. A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico e classificação da nefrite lúpica, pois permite determinar a classe histológica (segundo a classificação da ISN/RPS), o grau de atividade inflamatória e a cronicidade das lesões. A classificação histológica é fundamental para guiar a escolha do regime imunossupressor. Por exemplo, as glomerulonefrites proliferativas difusas (Classe IV) e focais (Classe III) requerem tratamento agressivo com corticoides e agentes como ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila. A biópsia também ajuda a identificar lesões crônicas irreversíveis, que podem indicar um prognóstico pior e a necessidade de considerar outras estratégias. Portanto, a biópsia renal não é apenas diagnóstica, mas prognóstica e terapêutica, sendo indispensável diante de manifestações renais significativas no LES.
A biópsia renal é indicada em pacientes com LES que apresentam proteinúria persistente (>0,5 g/24h ou relação proteína/creatinina urinária >0,5), hematúria inexplicada, ou elevação da creatinina sérica, para classificar a nefrite lúpica.
A biópsia renal permite classificar a nefrite lúpica em diferentes classes histológicas (I a VI), que possuem prognósticos e abordagens terapêuticas distintas. Por exemplo, classes III e IV (proliferativas) exigem imunossupressão mais agressiva.
As classes proliferativas (III e IV) são as mais graves e tratadas com pulsoterapia de corticoides e ciclofosfamida ou micofenolato. A classe V (membranosa) pode ser tratada com corticoides e inibidores da calcineurina. Classes I e II geralmente não requerem imunossupressão agressiva.
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