UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015
Paciente do sexo feminino, 17 anos, há cerca de 5 anos apresentou quadro de anemia leve, normocrômica e normocítica, eritema malar fotossensível e poliartrite não erosiva, transitória. Exames complementares corroboram o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico. Foi tratada com boa evolução há cerca de seis meses, quando iniciou hipertensão arterial, edema periférico e periorbital. Qual alternativa apresenta a melhor propedêutica laboratorial para o quadro atual?
LES + HAS + edema + proteinúria → Investigar Nefrite Lúpica e SAF: Urina 1, proteinúria 24h, C3/C4, anti-DNAds, SAF.
O surgimento de hipertensão e edema em paciente com LES sugere fortemente acometimento renal (nefrite lúpica). A propedêutica deve incluir avaliação da função renal, quantificação da proteinúria, marcadores de atividade da doença (C3, C4, anti-DNAds) e rastreio para síndrome antifosfolípide, que pode coexistir e agravar o quadro.
A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), afetando até 60% dos pacientes e sendo uma das principais causas de morbimortalidade. O reconhecimento precoce e a propedêutica adequada são cruciais para o manejo e para evitar a progressão para doença renal crônica terminal. O quadro clínico de hipertensão arterial, edema periférico e periorbital em um paciente com LES estabelecido é altamente sugestivo de envolvimento renal. A investigação laboratorial inicial deve ser abrangente. A Urina tipo 1 é fundamental para detectar proteinúria, hematúria e cilindros, indicativos de lesão glomerular. A quantificação da proteinúria de 24 horas e o clearance de creatinina são essenciais para avaliar a extensão da disfunção renal e a perda proteica. A dosagem de proteínas totais e frações ajuda a identificar hipoalbuminemia, comum na síndrome nefrótica. Além disso, marcadores imunológicos são vitais: níveis baixos de complemento (C3 e C4) e títulos elevados de anti-DNAds são indicativos de atividade da doença, especialmente da nefrite lúpica. A pesquisa de anticorpos antifosfolípides (anticardiolipina IgG e IgM, anticoagulante lúpico) é importante devido à alta prevalência da Síndrome Antifosfolípide (SAF) em pacientes com LES e seu potencial para causar trombose renal, complicando o quadro. A biópsia renal, embora não seja o primeiro passo laboratorial, é frequentemente necessária para classificar a nefrite lúpica e guiar o tratamento.
Exames essenciais incluem Urina tipo 1, proteinúria de 24 horas, clearance de creatinina, dosagem de C3 e C4, e anti-DNAds. Estes avaliam a função renal, a perda proteica e a atividade inflamatória da doença.
A síndrome antifosfolípide (SAF) pode coexistir com o LES e causar tromboses, incluindo trombose de vasos renais, o que pode agravar a lesão renal e o prognóstico da nefrite lúpica.
Os marcadores mais relevantes são o consumo de complemento (C3 e C4 baixos) e a elevação dos títulos de anti-DNAds, que estão fortemente associados à atividade da nefrite lúpica.
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