PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 31 anos comparece ao Pronto Atendimento com a queixa de edema de membros inferiores e urina espumosa há sete dias. Relata que há três meses apresenta artralgia migratória nos joelhos, punhos e articulações interfalangianas proximais, com edema e calor locais, além de perda de peso, febre intermitente e dor retroesternal ventilatório-dependente nas últimas duas semanas. Ao exame físico, PA 160/90mmHg. Apresenta pequena úlcera no palato duro, e a ausculta cardíaca revela atrito pericárdico. EXAMES DE LABORATÓRIO: hemoglobina 10,2g/dL; leucócitos 3.400/mm³; plaquetas 94.000/mm²; creatinina 1,57 mg/dL; FAN 1:160, padrão nuclear homogêneo; exame de urina proteína 3+, hemácias 20/campo, relação proteína/creatinina na urina: 3,6. Em relação à hipótese principal para o acometimento renal da paciente, é CORRETO afirmar:
Lúpus + Proteinúria/Hematúria → Biópsia Renal é o padrão-ouro para diagnóstico e conduta.
A biópsia renal é indispensável em pacientes com LES e evidência de dano renal para classificar a lesão histológica e guiar a terapia imunossupressora.
A nefrite lúpica é uma das complicações mais graves do LES, afetando até 50% dos pacientes. O diagnóstico precoce e a classificação histológica correta são determinantes para a sobrevida renal. A biópsia deve ser realizada em qualquer paciente com LES que apresente aumento inexplicado da creatinina, proteinúria > 500mg/24h ou sedimento urinário ativo. O tratamento visa induzir a remissão e prevenir a progressão para doença renal crônica terminal.
A paciente apresenta um quadro sistêmico compatível com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): artralgia, perda de peso, febre, dor pleurítica (serosite), úlcera oral, atrito pericárdico e alterações hematológicas (anemia, leucopenia, plaquetopenia). O acometimento renal é sugerido pela hipertensão arterial, edema, urina espumosa, creatinina elevada (1,57 mg/dL) e, crucialmente, pelo exame de urina com proteinúria maciça (3+ e relação P/C de 3,6 - faixa nefrótica) e hematúria. Esses achados de 'sedimento ativo' e proteinúria em paciente com LES tornam a nefrite lúpica a hipótese principal.
A biópsia renal é essencial porque as manifestações clínicas e laboratoriais não conseguem prever com precisão o padrão histológico da lesão (Classes I a VI da ISN/RPS). Cada classe possui prognóstico e tratamento distintos. Por exemplo, uma classe III (focal) ou IV (difusa) exige imunossupressão agressiva com corticoides e ciclofosfamida ou micofenolato, enquanto uma classe II (mesangial) pode exigir apenas controle pressórico. Além disso, a biópsia avalia índices de atividade e cronicidade, fundamentais para decidir a intensidade do tratamento.
Na nefrite lúpica em atividade, espera-se encontrar níveis **baixos** (consumo) de complemento sérico (C3 e C4) e títulos **elevados** de anticorpo anti-DNA de dupla hélice (anti-dsDNA). A alternativa D está incorreta ao sugerir 'níveis elevados do complemento'. O consumo do complemento reflete a ativação da via clássica pela deposição de imunocomplexos no glomérulo, sendo um marcador laboratorial clássico de atividade de doença renal no lúpus.
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