UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Um paciente com perda de função renal e eosinofilia no sangue periférico foi submetido a biópsia renal cujo resultado revelou nefrite intersticial alérgica. A dupla de drogas que mais provavelmente poderiam estar sendo usadas é:
IRA + Eosinofilia + Eosinofilúria → Pensar em Nefrite Intersticial Alérgica (NIA).
A NIA é uma reação de hipersensibilidade renal a fármacos; Omeprazol e Alopurinol são gatilhos clássicos que causam infiltrado inflamatório no interstício.
A Nefrite Intersticial Alérgica (NIA) representa uma causa importante de lesão renal aguda intrínseca. Diferente da necrose tubular aguda, a NIA é mediada por mecanismos imunológicos, frequentemente uma reação de hipersensibilidade tardia. O quadro clínico pode ser sutil, manifestando-se apenas com aumento de creatinina. A presença de eosinofilia periférica é um achado sugestivo, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. O manejo envolve vigilância clínica e, em casos selecionados, imunossupressão.
As classes de medicamentos mais frequentemente associadas à Nefrite Intersticial Alérgica incluem os antibióticos (especialmente beta-lactâmicos como penicilinas e cefalosporinas), anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), inibidores da bomba de prótons (como o omeprazol), alopurinol, diuréticos tiazídicos e sulfas. O reconhecimento precoce da droga causadora é crucial para a interrupção da exposição e recuperação da função renal.
Embora a suspeita clínica seja baseada em insuficiência renal aguda, eosinofilia e eosinofilúria, o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo é a biópsia renal. Os achados histopatológicos característicos incluem edema intersticial e infiltrado inflamatório composto por linfócitos, monócitos e, classicamente, eosinófilos, com preservação relativa dos glomérulos e vasos.
O tratamento principal da NIA é a suspensão imediata da droga suspeita. O uso de corticosteroides (como a prednisona) é indicado quando não há melhora rápida da função renal após a retirada do fármaco ou em casos de insuficiência renal grave, visando reduzir o infiltrado inflamatório e prevenir a fibrose intersticial crônica, embora o momento ideal para início ainda seja debatido.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo