SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2021
Paciente em uso recente de anti-inflamatórios não hormonais por cefaleia, evolui com febre, artralgia disseminada, rash cutâneo, eosinofilia e cilindros leucocitários na urina.O diagnóstico mais provável é:
Uso AINEs + febre, rash, artralgia, eosinofilia, cilindros leucocitários → Nefrite Intersticial Alérgica Aguda.
A nefrite intersticial alérgica aguda é uma causa importante de lesão renal aguda, frequentemente induzida por medicamentos como AINEs. A tríade clássica de febre, rash e eosinofilia, juntamente com achados urinários como cilindros leucocitários, deve levantar forte suspeita diagnóstica.
A nefrite intersticial alérgica aguda (NIA) é uma causa importante de lesão renal aguda (LRA), caracterizada por um infiltrado inflamatório no interstício renal, frequentemente mediado por uma reação de hipersensibilidade. É um diagnóstico crucial em nefrologia e clínica médica, frequentemente abordado em exames de residência devido à sua etiologia medicamentosa e apresentação clínica variada. A fisiopatologia envolve uma resposta imune (geralmente tipo IV de hipersensibilidade) a um antígeno, frequentemente um medicamento, que leva à inflamação do interstício renal. A apresentação clássica inclui febre, rash cutâneo e eosinofilia, embora essa tríade ocorra em menos de 10% dos casos. Outros sintomas podem ser artralgia, dor lombar e oligúria. Achados laboratoriais incluem elevação da creatinina, eosinofilia periférica e, na urina, piúria estéril, hematúria e cilindros leucocitários. A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico, revelando infiltrado inflamatório intersticial com linfócitos, plasmócitos e eosinófilos. O tratamento primário da NIA é a suspensão do agente etiológico. Em muitos casos, a função renal melhora após a retirada do medicamento. No entanto, se a LRA for grave ou progressiva, corticosteroides podem ser utilizados para acelerar a recuperação e prevenir danos renais permanentes, embora a evidência para seu benefício seja limitada. O prognóstico geralmente é bom com a intervenção precoce, mas alguns pacientes podem evoluir para doença renal crônica.
Os principais medicamentos incluem antibióticos (especialmente penicilinas e cefalosporinas), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), diuréticos (tiazídicos e de alça) e inibidores da bomba de prótons (IBPs). AINEs são uma causa comum e devem ser sempre investigados na história medicamentosa.
Além da eosinofilia no hemograma, a análise de urina pode revelar proteinúria não nefrótica, hematúria microscópica e, caracteristicamente, piúria estéril com presença de cilindros leucocitários (especialmente eosinofilúria, embora nem sempre presente). A elevação da creatinina sérica indica lesão renal aguda.
A conduta inicial é a suspensão imediata do agente etiológico suspeito. Em casos de insuficiência renal progressiva ou grave, a terapia com corticosteroides (como prednisona) pode ser considerada para reduzir a inflamação e preservar a função renal, embora a evidência para seu uso seja controversa e baseada em séries de casos.
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