Nefrite Intersticial Aguda: Diagnóstico e Causas Comuns

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 28 anos com endocardite infecciosa, febril, inicia tratamento empírico. Após nove dias de tratamento, desenvolve retenção de escórias nitrogenadas, porém mantendo volume urinário normal. O sedimento urinário mostra eosinófilos e piúria estéril. O quadro clínico laboratorial corresponde a:

Alternativas

  1. A) necrose tubular aguda
  2. B) nefrite intersticial aguda
  3. C) insuficiência renal aguda relacionada à sepsis
  4. D) insuficiência renal aguda relacionada à isquemia

Pérola Clínica

IRA não oligúrica + eosinofilúria + piúria estéril + uso de drogas → Nefrite Intersticial Aguda.

Resumo-Chave

O quadro de insuficiência renal aguda com retenção de escórias nitrogenadas, volume urinário normal (IRA não oligúrica), associado a eosinófilos e piúria estéril no sedimento urinário, é altamente sugestivo de nefrite intersticial aguda, frequentemente induzida por medicamentos, como antibióticos usados no tratamento de endocardite.

Contexto Educacional

A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa importante de insuficiência renal aguda (IRA), caracterizada por um processo inflamatório no interstício renal. Frequentemente, é uma reação de hipersensibilidade a medicamentos, sendo os antibióticos (como os usados empiricamente em endocardite infecciosa), AINEs e inibidores da bomba de prótons as causas mais comuns. A suspeita clínica é crucial, especialmente em pacientes que desenvolvem IRA após o início de novas medicações. O quadro clínico da NIA pode ser inespecífico, com febre, rash cutâneo e eosinofilia periférica (a clássica tríade, presente em minoria dos casos). No entanto, a apresentação mais comum é a elevação da creatinina e ureia, muitas vezes com diurese preservada (IRA não oligúrica). O sedimento urinário é a chave diagnóstica, revelando eosinofilúria (detectada por coloração específica) e piúria estéril, ou seja, leucócitos na urina sem evidência de infecção bacteriana. A proteinúria é geralmente leve a moderada, não atingindo níveis nefróticos. O manejo da NIA envolve a identificação e suspensão imediata do agente etiológico. Em casos graves ou com progressão da disfunção renal, a terapia com corticosteroides pode ser considerada, embora sua eficácia total seja debatida e dependa da causa subjacente e do tempo de início. O prognóstico é geralmente bom com a remoção do agente agressor, mas a recuperação completa da função renal pode levar semanas ou meses, e alguns pacientes podem evoluir para doença renal crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados laboratoriais sugestivos de nefrite intersticial aguda?

Os achados laboratoriais incluem elevação das escórias nitrogenadas (creatinina e ureia), com volume urinário geralmente normal (IRA não oligúrica). No sedimento urinário, são característicos a presença de eosinófilos (eosinofilúria) e piúria estéril, além de proteinúria não nefrótica.

Quais medicamentos são mais frequentemente associados à nefrite intersticial aguda?

Os medicamentos mais comumente associados à NIA são antibióticos (especialmente beta-lactâmicos como penicilinas e cefalosporinas, rifampicina, sulfas), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), diuréticos (furosemida, tiazídicos) e inibidores da bomba de prótons (IBP).

Como diferenciar nefrite intersticial aguda de necrose tubular aguda?

A NIA é caracterizada por eosinofilúria e piúria estéril, além de uma IRA que pode ser não oligúrica. Já a necrose tubular aguda (NTA) tipicamente apresenta cilindros granulosos e células tubulares no sedimento urinário, e frequentemente cursa com oligúria, sendo causada por isquemia ou nefrotoxinas diretas.

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