Nefrite Intersticial Aguda: Sinais e Diagnóstico por AINEs

ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente de 20 anos de idade apresenta perda aguda da função renal, associada a automedicação com anti-inflamatório, sendo feito o diagnóstico de nefrite intersticial aguda. Acerca dessa condição nefrológica, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Eosinofilia constitui manifestação clínica sugestiva do referido diagnóstico.
  2. B) O exame sumário de urina (EAS) dessa paciente costuma mostrar-se normal.
  3. C) O aumento difuso dos rins, visto na tomografia computadorizada, representa a confirmação de certeza do diagnóstico de afecção renal.
  4. D) A maioria dos pacientes nos quais o citado diagnóstico é confirmado evolui para insuficiência renal crônica terminal.
  5. E) Cerca de 75% dos casos estão relacionados a comprometimento associado de outros órgãos, como pele e pulmão.

Pérola Clínica

Nefrite Intersticial Aguda (NIA) por AINEs → eosinofilia (sistêmica/urinária) é sugestiva, mas biópsia é padrão-ouro.

Resumo-Chave

A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa importante de lesão renal aguda, frequentemente induzida por drogas como os AINEs. A eosinofilia, tanto no sangue periférico quanto na urina (eosinofilúria), é uma manifestação sugestiva, embora não patognomônica, do diagnóstico.

Contexto Educacional

A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa importante de lesão renal aguda (LRA), caracterizada por um infiltrado inflamatório no interstício renal que leva à disfunção tubular e glomerular. A NIA induzida por medicamentos, especialmente anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), antibióticos e inibidores da bomba de prótons, é a forma mais comum. É crucial para o residente suspeitar de NIA em pacientes com LRA e histórico recente de uso de novas medicações. As manifestações clínicas da NIA são variadas e inespecíficas, podendo incluir febre, rash cutâneo, artralgias e eosinofilia periférica, embora a tríade clássica seja rara. A eosinofilia, tanto no sangue periférico quanto na urina (eosinofilúria), é um achado sugestivo, mas sua ausência não exclui o diagnóstico. O exame sumário de urina (EAS) frequentemente revela piúria estéril, proteinúria leve e, por vezes, hematúria. O diagnóstico de certeza é feito por biópsia renal, que demonstra o infiltrado inflamatório intersticial. O tratamento da NIA envolve a suspensão imediata do agente etiológico. Em muitos casos de NIA induzida por drogas, a função renal melhora após a retirada do medicamento. Corticosteroides podem ser utilizados em casos selecionados, especialmente se houver falha na recuperação após a suspensão da droga ou se a LRA for grave. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação completa da função renal na maioria dos pacientes, mas uma pequena porcentagem pode evoluir para doença renal crônica se o diagnóstico e tratamento forem tardios.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas da nefrite intersticial aguda?

As principais causas da nefrite intersticial aguda (NIA) são medicamentos (especialmente antibióticos como penicilinas e cefalosporinas, AINEs, inibidores da bomba de prótons), infecções (bacterianas, virais) e doenças sistêmicas (como sarcoidose, lúpus). As drogas são a etiologia mais comum.

Como o exame sumário de urina (EAS) se apresenta na nefrite intersticial aguda?

O EAS na NIA tipicamente mostra piúria estéril (leucócitos na urina sem infecção bacteriana), proteinúria leve (geralmente < 1 g/dia) e, em alguns casos, hematúria microscópica. A presença de eosinofilúria, embora não universal, é um achado altamente sugestivo.

Qual é o papel da biópsia renal no diagnóstico da nefrite intersticial aguda?

A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo da NIA. Ela permite visualizar o infiltrado inflamatório no interstício renal, predominantemente linfocitário, mas com a presença de eosinófilos em muitos casos, e descartar outras causas de lesão renal aguda.

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