Nefrite Intersticial Aguda: Diagnóstico e Causas

Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 40 anos, masculino, em bom estado geral, apresentando quadro de mal estar geral, febre Tax. 38ºC e discreta dor lombar à direita há cerca de uma semana. Relata ter feito uso recente de AINE devido a trauma em joelho direito. Exame físico sem alterações. Realizou EAS tipo 1 que evidenciou presença de proteínas ++ e hemácias ++ além de cilindros leucocitários no sedimento. Com base nesses dados qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Nefrolitiase
  2. B) Pielonefrite aguda
  3. C) Nefrite intersticial aguda
  4. D) Glomerulonefrite aguda

Pérola Clínica

NIA: febre, rash, eosinofilia, LRA + uso AINE + cilindros leucocitários.

Resumo-Chave

A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa importante de lesão renal aguda, frequentemente associada ao uso de medicamentos como AINEs. A tríade clássica de febre, rash e eosinofilia pode estar ausente, mas a presença de cilindros leucocitários no EAS em um contexto de uso de AINEs é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A Nefrite Intersticial Aguda (NIA) é uma causa importante de Lesão Renal Aguda (LRA), caracterizada por um infiltrado inflamatório no interstício renal que leva à disfunção tubular e glomerular. Embora a tríade clássica de febre, rash cutâneo e eosinofilia seja descrita, ela ocorre em uma minoria dos pacientes. A NIA é mais frequentemente induzida por medicamentos, sendo os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), antibióticos (beta-lactâmicos, sulfas) e inibidores da bomba de prótons (IBPs) as causas mais comuns. O diagnóstico de NIA deve ser suspeitado em pacientes com LRA, especialmente se houver história de uso recente de medicamentos associados. Os achados laboratoriais incluem elevação da creatinina sérica, proteinúria (geralmente não nefrótica), hematúria e, no exame de urina, a presença de cilindros leucocitários e, por vezes, eosinofilúria. A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo, mas muitas vezes o tratamento empírico é iniciado com base na forte suspeita clínica. O tratamento da NIA consiste principalmente na identificação e suspensão do agente etiológico. Em alguns casos, especialmente quando a função renal não melhora rapidamente, pode-se considerar o uso de corticosteroides para reduzir a inflamação. O prognóstico geralmente é bom com a remoção do agente agressor, mas a recuperação completa da função renal pode levar semanas ou meses, e alguns pacientes podem evoluir para doença renal crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais na nefrite intersticial aguda?

Os achados incluem elevação da creatinina, proteinúria leve a moderada, hematúria e, classicamente, a presença de cilindros leucocitários e eosinofilúria no exame de urina (EAS).

Quais medicamentos são mais frequentemente associados à nefrite intersticial aguda?

Os medicamentos mais comuns são antibióticos (penicilinas, cefalosporinas, sulfas), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), diuréticos e inibidores da bomba de prótons (IBPs).

Como diferenciar nefrite intersticial aguda de pielonefrite aguda?

A NIA geralmente não apresenta sintomas urinários baixos (disúria, polaciúria) e a urocultura é estéril. A pielonefrite cursa com sintomas de infecção urinária e urocultura positiva.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo