UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 38 anos, internado na enfermaria de ortopedia para tratamento de lesão de ligamento cruzado anterior há 3 dias, apresentando febre, dor lombar, rash cutâneo e redução do volume urinário. Exames laboratoriais de hoje demonstram: Cr 2,0 mg/dL (na admissão: 0,8 mg/dL), hemograma com 13.800 leucócitos/mm³ (na admissão: 8.700/mm³). Contam na prescrição itens como dieta geral, tromboprofilaxia com heparina de baixo peso molecular, antiinflamatório não esteroidal, analgésicos simples e antieméticos se necessário. Qual a possível explicação para a lesão renal aguda?
Febre + rash + eosinofilia + LRA pós-droga (AINE) → Nefrite Intersticial Aguda.
O quadro clínico de febre, rash cutâneo, dor lombar, leucocitose com eosinofilia (sugerida pela infiltração) e elevação aguda da creatinina após uso de AINEs é altamente sugestivo de nefrite intersticial aguda, uma reação de hipersensibilidade medicamentosa.
A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa importante de lesão renal aguda (LRA), caracterizada por um processo inflamatório no interstício renal. A maioria dos casos é de origem medicamentosa, representando uma reação de hipersensibilidade tardia a fármacos. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são uma classe comum de medicamentos que podem desencadear NIA, especialmente em pacientes internados ou com uso prolongado. O quadro clínico da NIA é variável, mas a tríade clássica de febre, rash cutâneo e eosinofilia está presente em uma minoria dos pacientes. No entanto, a presença de febre, rash e elevação da creatinina, como no caso apresentado, deve levantar forte suspeita, especialmente se houver uso de medicamentos conhecidos por causar NIA. A biópsia renal é o padrão ouro para o diagnóstico, revelando infiltrado inflamatório no interstício, frequentemente com eosinófilos. O manejo da NIA envolve a suspensão imediata do agente etiológico. Em muitos casos, a função renal melhora após a retirada do medicamento. Em situações de LRA grave ou progressiva, o uso de corticosteroides pode ser considerado para acelerar a recuperação e prevenir danos renais permanentes. É fundamental que residentes estejam atentos a essa condição para evitar a progressão da LRA e suas complicações.
Os principais medicamentos incluem antibióticos (especialmente betalactâmicos), anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), diuréticos e inibidores da bomba de prótons.
Clinicamente, febre, rash cutâneo, artralgia e dor lombar. Laboratorialmente, elevação da creatinina, leucocitose com eosinofilia e eosinofilúria são sugestivos.
A conduta inicial é a suspensão imediata do medicamento suspeito. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de corticosteroides para reduzir a inflamação e preservar a função renal.
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