Nefrite Intersticial Aguda: Diagnóstico e Causas Medicamentosas

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 38 anos, portador de prolapso da válvula mitral, é admitido com febre e queda do estado geral. Há crescimento de Staphylococcus aureus em três hemoculturas sucessivas e ele está em tratamento com oxacilina e gentamicina. No sétimo dia de tratamento, apresenta-se hemodinamicamente estável, mas sua creatinina aumenta de 0,9mg/dL (admissional) para 1,5mg/dL, e o exame de urina I demonstra hematúria 2+ e proteinúria 2+; com cilindros granulares e piócitos. Dosados C3 e C4 que se apresentaram normais. Apresenta eosinofilia e eosinofilúria. O quadro deve ser devido a:

Alternativas

  1. A) glomerulonefrite pós infeciosa.
  2. B) nefrite intersticial aguda.
  3. C) necrose tubular aguda por isquemia.
  4. D) sepse.
  5. E) trombose de veia renal.

Pérola Clínica

Eosinofilia + eosinofilúria + IRA após ATB (oxacilina/gentamicina) = Nefrite Intersticial Aguda.

Resumo-Chave

A nefrite intersticial aguda (NIA) medicamentosa é uma causa importante de lesão renal aguda, frequentemente associada a antibióticos como penicilinas (oxacilina) e aminoglicosídeos (gentamicina). A presença de eosinofilia e eosinofilúria, juntamente com a elevação da creatinina e alterações urinárias, é altamente sugestiva de NIA, diferenciando-a de outras causas de IRA.

Contexto Educacional

A lesão renal aguda (LRA) é uma complicação comum em pacientes hospitalizados, e a nefrite intersticial aguda (NIA) medicamentosa é uma causa importante e potencialmente reversível. A NIA é uma reação de hipersensibilidade tardia que afeta o interstício renal, levando à inflamação e disfunção tubular. Antibióticos como as penicilinas (incluindo oxacilina), cefalosporinas e aminoglicosídeos (gentamicina) são causas frequentes de NIA. O quadro clínico geralmente se manifesta com elevação da creatinina, febre, rash cutâneo e eosinofilia, embora nem todos os sintomas estejam presentes. O exame de urina pode revelar hematúria, proteinúria leve, piúria estéril e, classicamente, eosinofilúria, que é um forte indicador diagnóstico. O diagnóstico diferencial da LRA é amplo, incluindo necrose tubular aguda (NTA), glomerulonefrites e outras causas. A presença de eosinofilia e eosinofilúria, juntamente com níveis normais de complemento (C3 e C4), ajuda a distinguir a NIA de glomerulonefrites pós-infecciosas, que tipicamente cursam com hipocomplementemia. A suspensão do agente agressor é a pedra angular do tratamento, e corticosteroides podem ser considerados em casos selecionados para acelerar a recuperação renal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais laboratoriais da nefrite intersticial aguda?

Os principais sinais laboratoriais da nefrite intersticial aguda incluem elevação da creatinina, eosinofilia periférica, eosinofilúria, piúria estéril, hematúria e proteinúria leve no exame de urina, com níveis de complemento geralmente normais.

Quais medicamentos podem causar nefrite intersticial aguda?

Diversos medicamentos podem causar nefrite intersticial aguda, sendo os mais comuns antibióticos (penicilinas, cefalosporinas, sulfonamidas, rifampicina), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), diuréticos (tiazídicos, furosemida) e inibidores da bomba de prótons (IBPs).

Como diferenciar nefrite intersticial aguda de necrose tubular aguda?

A nefrite intersticial aguda frequentemente apresenta eosinofilúria, piúria estéril e, por vezes, febre e rash, enquanto a necrose tubular aguda (NTA) é mais comum em contextos de isquemia ou nefrotoxinas diretas, com cilindros granulares e epiteliais, mas sem eosinofilúria proeminente.

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