UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 48a, procura atendimento com queixa de febre, astenia e dor lombar há cerca de três dias. Antecedentes pessoais: infecção urinária há sete dias em tratamento empírico com ciprofloxacino. Nega antecedente de doenças renais, diabetes, hipertensão arterial, uso crônico de medicações ou alergias conhecidas. Exame físico: T = 38,5ºC, PA = 134/85 mmHg, FC = 98 bpm, auscultas cardíaca e pulmonar sem alterações, indolor à manobra de punho percussão lombar, sem edema de membros inferiores. Exames laboratoriais: creatinina = 1,8 mg/dL; ureia = 56 mg/dL; hemoglobina = 12,5 g/dL; leucócitos = 15.000/mm³ (eosinófilos = 11%); plaquetas = 240.000/mm³; sódio = 138 mEq/L; potássio = 4,5 mEq/L. Exame de urina: proteinúria 1+/4+, hemácias = 12/campo, leucócitos = 30/campo, presença de cilindros leucocitários, urocultura negativa. A conduta é:
Febre + Eosinofilia + LRA + Cilindros leucocitários após droga → Nefrite Intersticial Aguda.
A NIA é uma reação de hipersensibilidade renal a fármacos. O diagnóstico é sugerido por eosinofilia e sedimento urinário com leucocitúria e cilindros, sem infecção bacteriana.
A Nefrite Intersticial Aguda (NIA) é uma causa comum de lesão renal aguda intrínseca, frequentemente desencadeada por antibióticos (penicilinas, quinolonas), AINEs e diuréticos. Trata-se de uma reação de hipersensibilidade tipo IV. No caso clínico apresentado, a paciente desenvolveu febre, eosinofilia (11%) e perda de função renal após o uso de ciprofloxacino, com sedimento urinário inflamatório mas cultura negativa, fechando o diagnóstico clínico de NIA. O tratamento padrão envolve a retirada do gatilho e corticoterapia.
Os achados clássicos incluem elevação da creatinina (LRA), eosinofilia periférica, eosinofilúria (embora de baixa sensibilidade) e sedimento urinário rico em leucócitos e cilindros leucocitários, caracteristicamente com urocultura negativa.
A medida mais importante é a suspensão imediata do agente causal suspeito (neste caso, o ciprofloxacino). A identificação precoce e interrupção da exposição à droga são fundamentais para prevenir a fibrose intersticial crônica.
Os corticosteroides (como a prednisona) são indicados quando não há melhora rápida da função renal após a suspensão da droga ou em casos de lesão renal grave, visando reduzir o infiltrado inflamatório intersticial e acelerar a recuperação.
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