HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Homem, 72 anos de idade, apresenta oligúria e astenia após tratamento de celulite com cefalexina. Sinais vitais normais e exame físico sem alterações significativas. Exame laboratorial mostra creatinina de 2,4 mg/dL. Urina tipo 1 revela hematúria, proteinúria, piúria e eosinófilos. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e o tratamento indicado, respectivamente.
LRA + eosinofilúria + piúria estéril + uso de fármaco → Nefrite Intersticial Aguda (NIA).
A presença de lesão renal aguda, associada a sintomas sistêmicos e achados urinários como hematúria, piúria (com eosinófilos) e proteinúria em um paciente que iniciou um novo medicamento (especialmente antibióticos ou AINEs), é altamente sugestiva de nefrite intersticial aguda. A interrupção imediata do agente causal é a primeira e mais importante medida para reverter o quadro.
A nefrite intersticial aguda (NIA) é uma causa importante de lesão renal aguda (LRA), caracterizada por um processo inflamatório no interstício renal. A etiologia mais comum é medicamentosa, respondendo por cerca de 70% dos casos, mas também pode ser causada por infecções ou doenças autoimunes. É crucial para residentes reconhecer essa condição devido à sua reversibilidade com o manejo adequado. A fisiopatologia da NIA medicamentosa é geralmente uma reação de hipersensibilidade imunomediada. O quadro clínico pode ser inespecífico, com febre, rash cutâneo e artralgia, mas os achados urinários são mais sugestivos: hematúria, piúria (com eosinófilos) e proteinúria leve. A elevação da creatinina é o principal indicador de LRA. A suspeita deve ser alta em pacientes com LRA e histórico de uso recente de medicamentos conhecidos por causar NIA. O tratamento primário e mais eficaz é a interrupção imediata do agente causal. A biópsia renal é o padrão-ouro para o diagnóstico, mas nem sempre é necessária se a suspeita clínica for alta e houver melhora após a retirada do medicamento. Em casos de não melhora ou LRA grave, o uso de corticosteroides pode ser benéfico para acelerar a recuperação da função renal.
Os achados laboratoriais incluem elevação da creatinina e ureia (indicando lesão renal aguda), eosinofilia periférica e, na urina tipo 1, hematúria, piúria (frequentemente estéril) e proteinúria leve. A presença de eosinofilúria é um achado clássico, embora não universal.
Diversos medicamentos podem causar NIA, sendo os mais comuns os antibióticos (penicilinas, cefalosporinas, sulfonamidas, rifampicina), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), diuréticos (tiazídicos, furosemida) e inibidores da bomba de prótons (IBP). A cefalexina, uma cefalosporina, é um exemplo.
A conduta inicial e mais importante é a interrupção imediata do medicamento suspeito. Em alguns casos, especialmente se houver piora da função renal ou ausência de melhora após a retirada do agente, pode-se considerar o uso de corticosteroides para reduzir a inflamação.
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