Complicações da Pancreatite Aguda: Necrose e Infecção

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Em relação às complicações da pancreatite aguda, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Abscesso pancreático pode associar-se à formação de derrame pleural e aumento do baço secundário à trombose da veia esplênica.
  2. B) O risco de infecção da necrose pancreática correlaciona-se diretamente com a extensão da mesma.
  3. C) Pseudocistos se localizam sempre na contiguidade do pâncreas e, raramente, podem ter resolução espontânea.
  4. D) Síndrome de angústia respiratória aguda é geralmente tardia e ocorre principalmente em pacientes desidratados.

Pérola Clínica

Risco de infecção da necrose ∝ extensão da necrose pancreática.

Resumo-Chave

A necrose pancreática é a principal determinante de gravidade; quanto maior a área desvitalizada, maior a probabilidade de translocação bacteriana e infecção.

Contexto Educacional

A pancreatite aguda apresenta um curso bimodal de mortalidade. Na fase precoce (primeira semana), a morte decorre da síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e falência orgânica. Na fase tardia, as complicações infecciosas da necrose pancreática tornam-se a principal causa de óbito. A classificação de Atlanta revisada define as coleções pancreáticas com base no tempo e no conteúdo (líquido vs. necrose). A necrose infectada é uma indicação clássica para intervenção, preferencialmente postergada para após a quarta semana, quando a coleção está 'organizada' (walled-off necrosis), permitindo abordagens menos invasivas e mais seguras.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre necrose e pseudocisto?

A necrose pancreática envolve tecido parenquimatoso ou peripancreático desvitalizado, ocorrendo precocemente. Já o pseudocisto é uma coleção fluida encapsulada por uma parede de tecido fibroso, sem revestimento epitelial, que leva mais de 4 semanas para se formar. Enquanto a necrose pode infectar e exigir intervenção, muitos pseudocistos são assintomáticos e podem ser observados.

Como a extensão da necrose afeta o prognóstico?

Existe uma correlação direta entre a porcentagem de necrose glandular e o risco de complicações. Pacientes com mais de 30-50% de necrose têm um risco significativamente maior de desenvolver infecção da necrose (necrose infectada), o que eleva drasticamente a morbimortalidade e frequentemente exige necrosectomia ou drenagem minimamente invasiva.

Quando suspeitar de infecção na necrose?

Deve-se suspeitar de necrose infectada em pacientes que apresentam piora clínica, febre persistente, leucocitose ou sinais de sepse após a primeira semana de evolução. A presença de gás dentro da coleção necrótica na tomografia é um sinal patognomônico de infecção por germes produtores de gás, embora a ausência de gás não exclua o diagnóstico.

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