AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Sobre a necrose epidérmica tóxica (NET) assinale a alternativa correta:
NET → >30% de superfície corporal atingida + etiologia medicamentosa + sinal de Nikolsky (+).
A Necrose Epidérmica Tóxica é uma reação cutânea grave, quase sempre induzida por fármacos, caracterizada por necrose disseminada da epiderme.
A Necrose Epidérmica Tóxica (NET) representa o espectro mais grave das reações cutâneas adversas graves (SCARs). A fisiopatologia envolve a ativação de linfócitos T citotóxicos e células NK que liberam granulisina e Fas-ligante, levando à morte programada dos queratinócitos em larga escala. Clinicamente, o quadro inicia-se com pródromos gripais seguidos por máculas eritematosas dolorosas que evoluem para bolhas e descolamento. O envolvimento de mucosas (oral, ocular e genital) ocorre em mais de 90% dos casos. O diagnóstico é clínico, mas a biópsia de pele pode confirmar a necrose de espessura total da epiderme com infiltrado inflamatório mínimo.
A principal diferença reside na extensão do descolamento epidérmico: a Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) envolve menos de 10% da superfície corporal, enquanto a Necrose Epidérmica Tóxica (NET) envolve mais de 30%. Casos entre 10-30% são considerados sobreposição SSJ/NET. Ambas compartilham a mesma fisiopatologia de hipersensibilidade tardia mediada por células T contra queratinócitos.
O sinal de Nikolsky é um achado clínico onde a pressão tangencial ou fricção aplicada sobre a pele aparentemente sã provoca o descolamento da epiderme. Na NET, ele é positivo tanto nas áreas perilesionais quanto em áreas distantes, indicando a fragilidade extrema da coesão dermo-epidérmica devido à apoptose maciça de queratinócitos.
O manejo deve ser realizado preferencialmente em Unidades de Tratamento de Queimados ou UTIs. As medidas incluem a interrupção imediata do fármaco suspeito, suporte hidroeletrolítico rigoroso, controle de temperatura, cuidados locais com a pele (sem debridamento agressivo) e suporte nutricional. O uso de corticoides ou imunoglobulina humana é controverso e deve ser individualizado.
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