CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Com relação à necrose aguda de retina, é correto afirmar que:
NAR → Necrose periférica 360° + Vitreíte + Vasculite oclusiva (origem viral).
A Necrose Aguda de Retina (NAR) é uma síndrome viral caracterizada por necrose retiniana periférica que progride centripetamente, poupando o polo posterior até fases tardias.
A Necrose Aguda de Retina (NAR) representa uma das formas mais agressivas de uveíte posterior. A fisiopatologia envolve a replicação viral ativa nas células da retina, levando à necrose de espessura total. A vasculite associada é tipicamente uma endarterite obliterante, que contribui para a isquemia tecidual. Embora comece na periferia, a progressão para o polo posterior pode comprometer a mácula e o nervo óptico, resultando em perda visual irreversível. O envolvimento do olho contralateral (Síndrome de Barraquer-Simons ou NAR bilateral) ocorre em cerca de 33% dos pacientes, geralmente dentro de semanas a meses após o primeiro olho. Por isso, o tratamento antiviral sistêmico é mandatório não apenas para tratar o olho afetado, mas para proteger o olho adelfo. O uso de corticoides sistêmicos é indicado apenas após o início da cobertura antiviral para controlar a resposta inflamatória e a vitreíte.
Os critérios estabelecidos pela American Uveitis Society incluem: 1) Áreas de necrose retiniana periférica com bordas bem demarcadas; 2) Progressão rápida da necrose se não tratada; 3) Disseminação circunferencial; 4) Evidência de vasculite retiniana oclusiva; 5) Inflamação proeminente na câmara anterior e no vítreo (vitreíte).
A NAR é causada por vírus da família Herpes (VZV, HSV-1 ou HSV-2) em pacientes geralmente imunocompetentes. Já a PORN (Necrose Retiniana Externa Progressiva) ocorre quase exclusivamente em imunocomprometidos (especialmente HIV+), progride muito mais rápido, apresenta mínima ou nenhuma inflamação vítrea/vascular e as lesões são multifocais e profundas.
O descolamento de retina regmatogênico é a complicação mais temida, ocorrendo em até 75% dos casos não tratados. Ele resulta das múltiplas roturas retinianas nas áreas de necrose e da tração vitreorretiniana causada pela intensa inflamação. O tratamento envolve antivirais sistêmicos (Aciclovir, Valaciclovir) e, muitas vezes, vitrectomia preventiva ou terapêutica.
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