UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Mulher de 74 anos, com neoplasia de pâncreas e metástases hepáticas, em uso de codeína 30 mg de 6/6 horas e amitriptilina 25 mg a noite. Apresenta bom controle analgésico porém queixa-se de náuseas e vômitos frequentes associados à medicação. Qual seria seu ajuste farmacológico frente ao caso?
Náuseas/vômitos por opioides com dor controlada → associar antiemético (ex: metoclopramida).
Em pacientes oncológicos com dor bem controlada por opioides, mas que apresentam náuseas e vômitos como efeito colateral, a conduta mais apropriada é a associação de um antiemético, como a metoclopramida, que atua no sistema nervoso central e no trato gastrointestinal para aliviar esses sintomas sem comprometer a analgesia.
O manejo da dor em pacientes com câncer avançado, como a neoplasia de pâncreas com metástases hepáticas, frequentemente envolve o uso de opioides. Embora eficazes no controle da dor, os opioides são conhecidos por uma série de efeitos adversos, sendo as náuseas e os vômitos um dos mais comuns e angustiantes, afetando significativamente a qualidade de vida do paciente. A codeína, um opioide fraco, pode causar náuseas e vômitos por estimulação da zona quimiorreceptora do gatilho no sistema nervoso central e por retardo do esvaziamento gástrico. Quando o controle analgésico está adequado, a estratégia mais racional é tratar o efeito colateral diretamente, sem alterar a medicação analgésica. A metoclopramida é um antiemético procinético e antagonista dos receptores dopaminérgicos D2, que atua tanto centralmente quanto perifericamente, acelerando o esvaziamento gástrico e bloqueando a emese. É uma escolha eficaz e segura para o manejo de náuseas e vômitos induzidos por opioides, sendo amplamente utilizada em cuidados paliativos. Outras opções incluem haloperidol ou antagonistas de 5-HT3, dependendo da etiologia e gravidade dos sintomas.
Os opioides podem causar náuseas e vômitos por vários mecanismos, incluindo a estimulação da zona quimiorreceptora do gatilho no tronco cerebral, aumento do tônus do esfíncter de Oddi, e diminuição da motilidade gastrointestinal.
Antieméticos como metoclopramida (procinético e antagonista dopaminérgico), haloperidol (antagonista dopaminérgico) e ondansetrona (antagonista 5-HT3) são frequentemente utilizados para náuseas e vômitos induzidos por opioides.
A troca ou redução do opioide deve ser considerada apenas se os efeitos colaterais gastrointestinais forem refratários ao tratamento com antieméticos e laxantes, ou se o controle da dor estiver comprometido.
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