Náuseas e Vômitos na Gravidez: Manejo Ambulatorial

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2020

Enunciado

Gestante com 16 semanas de gestação comparece à UBS queixando-se de náuseas e vômitos. Ao exame físico encontra-se hidratada, normotensa, sem qualquer anormalidade. Fundo uterino compatível com idade gestacional e batimentos cardíacos audíveis ao sonar normais. Clinicamente estável, descartando-se infecções. A orientação neste caso deve ser:

Alternativas

  1. A) "Cuidado em domicílio, fracionar dieta, evitando excesso de líquidos no início da manhã, antieméticos e hidratação oral."
  2. B) Encaminhar para hospital dia para hidratação oral precedida por antieméticos, por via intravenosa, imediatamente.
  3. C) "Repouso domiciliar, dieta leve com base em sopas de legumes, água gelada de 2/2 horas, acupressão e solução fisiológica (soro) por via oral."
  4. D) Encaminhar para o pronto-socorro, para administração de solução glicofisiológica e antieméticos por via endovenosa.
  5. E) Internar, jejum por 24 horas, soro glicofisiológico neste período, tiamina 100mg em solução salina, ondasetrona por via endovenosa.

Pérola Clínica

Náuseas e vômitos gestacionais leves → dieta fracionada, evitar gatilhos, hidratação oral e antieméticos orais.

Resumo-Chave

Náuseas e vômitos são comuns no primeiro trimestre da gravidez. Em gestantes estáveis, hidratadas e sem sinais de gravidade (como desidratação, perda de peso significativa ou cetonúria), o manejo inicial é conservador e domiciliar, focando em medidas dietéticas e antieméticos orais.

Contexto Educacional

Náuseas e vômitos são sintomas extremamente comuns na gravidez, afetando até 80% das gestantes, especialmente no primeiro trimestre. Geralmente, iniciam-se entre a 4ª e 9ª semana, atingem o pico por volta da 9ª semana e melhoram após a 16ª semana. A etiologia é multifatorial, envolvendo principalmente os altos níveis de gonadotrofina coriônica humana (hCG) e estrogênio. A avaliação inicial é crucial para diferenciar as náuseas e vômitos gestacionais leves da hiperemese gravídica, uma condição mais grave que requer intervenção hospitalar. No caso apresentado, a gestante está hidratada, normotensa e sem outras anormalidades, indicando um quadro leve a moderado. Descartar infecções e outras causas é fundamental. O manejo ambulatorial para casos leves e moderados foca em medidas não farmacológicas e farmacológicas. As orientações incluem dieta fracionada (pequenas e frequentes refeições), evitar alimentos que desencadeiam os sintomas, preferir alimentos secos e de fácil digestão, e evitar excesso de líquidos durante as refeições, especialmente pela manhã. A hidratação oral é incentivada. Antieméticos orais, como piridoxina (vitamina B6) isolada ou em combinação com doxilamina, ou metoclopramida, podem ser prescritos. A internação ou encaminhamento para pronto-socorro é reservada para casos de hiperemese gravídica com desidratação, distúrbios eletrolíticos ou perda de peso significativa.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais orientações dietéticas para náuseas e vômitos na gravidez?

Recomenda-se fracionar a dieta em pequenas refeições frequentes, evitar alimentos gordurosos, picantes ou com cheiro forte, e consumir alimentos secos (torradas, biscoitos) antes de levantar pela manhã.

Quando devo considerar a hiperemese gravídica e qual a conduta?

A hiperemese gravídica é suspeitada quando há vômitos persistentes e graves, desidratação, perda de peso >5% do peso pré-gestacional e cetonúria. Nesses casos, a internação para hidratação venosa e antieméticos é necessária.

Quais antieméticos são seguros para uso na gravidez?

Piridoxina (vitamina B6) é a primeira linha. Outras opções incluem dimenidrinato, metoclopramida e ondansetrona, sempre com avaliação médica dos riscos e benefícios.

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