Hanseníase: Sinais Clínicos e Risco Epidemiológico

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

M.A.C, 39 anos, natural e procedente de Pernambuco, procura a Estratégia de saúde da família, com queixa de manchas avermelhadas com alteração de sensibilidade em braços e antebraços e sensação de formigamentos e dormência nos braços e pernas, em especial no punho direito, "caroços" debaixo da pele e perda de pelos nos braços e sobrancelhas. Com base em risco epidemiológico, qual a doença que precisa ser investigada neste paciente?

Alternativas

  1. A) Síndrome do túnel do carpo
  2. B) Hanseníase
  3. C) Neuropatia alcoólica
  4. D) Neuropatia diabética

Pérola Clínica

Hanseníase = manchas com alteração de sensibilidade + neuropatia periférica + madarose + nódulos subcutâneos em área endêmica.

Resumo-Chave

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, endêmica em algumas regiões do Brasil, como Pernambuco. Sua apresentação clássica envolve lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, comprometimento de nervos periféricos (levando a parestesias, dormência e fraqueza muscular, como a síndrome do túnel do carpo), e manifestações como madarose e nódulos subcutâneos.

Contexto Educacional

A hanseníase, ou Doença de Hansen, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. No Brasil, apesar dos esforços de controle, ainda é considerada um problema de saúde pública, com focos de endemicidade em algumas regiões, como o Nordeste, tornando o risco epidemiológico um fator crucial para o diagnóstico. A importância clínica reside na sua capacidade de causar incapacidades permanentes se não tratada precocemente. A fisiopatologia envolve a invasão de células de Schwann e macrófagos pelo M. leprae, levando à desmielinização e dano neural, o que explica as alterações de sensibilidade e as neuropatias. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na presença de um ou mais dos seguintes critérios: lesões cutâneas com alteração de sensibilidade, espessamento de nervos periféricos com ou sem alteração de sensibilidade/força, e baciloscopia positiva. A suspeita deve surgir em pacientes com queixas dermatológicas e neurológicas, especialmente se oriundos de áreas endêmicas. O tratamento da hanseníase é feito com politerapia (MDT - Multidrug Therapy), que varia conforme a forma clínica (paucibacilar ou multibacilar), e é fornecido gratuitamente pelo SUS. O prognóstico é excelente com o tratamento adequado, que interrompe a progressão da doença e previne novas incapacidades. Pontos de atenção incluem o manejo das reações hansênicas e a prevenção de sequelas neurológicas através da detecção e tratamento precoces.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da hanseníase?

Os principais sinais e sintomas da hanseníase incluem manchas na pele com alteração de sensibilidade (hipoestesia ou anestesia), espessamento de nervos periféricos palpáveis, perda de pelos (madarose, especialmente nas sobrancelhas), nódulos subcutâneos e fraqueza muscular ou dormência devido ao comprometimento neural.

Como o risco epidemiológico influencia o diagnóstico de hanseníase?

O risco epidemiológico é crucial, pois a hanseníase é endêmica em certas regiões do Brasil, como o Nordeste. Pacientes procedentes dessas áreas com sintomas sugestivos devem ter a hanseníase incluída no diagnóstico diferencial, mesmo que os sintomas sejam inespecíficos inicialmente.

Qual a importância da alteração de sensibilidade no diagnóstico de hanseníase?

A alteração de sensibilidade nas lesões cutâneas é um dos pilares do diagnóstico de hanseníase, sendo um achado patognomônico. A perda de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa nas manchas é um forte indicativo da doença e deve ser ativamente pesquisada no exame físico.

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