NASF e Saúde Mental: Atuação na Atenção Primária

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2018

Enunciado

No bairro Jardim Paraíso a equipe de saúde da família acompanha uma família que reside no alto da escadaria em uma casa alvenaria (tijolos) sem revestimento. A casa tem 4 cômodos e o banheiro é improvisado do lado de fora, o que compromete o sistema de esgoto. Reside neste domicílio D. Joana, de 58 anos, do lar e lavadeira (lava e passa roupas para fora). No momento se encontra em tratamento de câncer de mama. Retirou uma mama e está fazendo quimioterapia. Também é portadora de hipertensão arterial (HAS) com risco Cardiovascular (RCV) moderado. D. Joana é casada com o Sr. Paulo, que tem 62 anos e trabalha como metalúrgico. Sr. Paulo costuma ter picos hipertensivos, mas não gosta de tomar as medicações prescritas pela médica da equipe, pois gosta de beber cachaça quando chega do trabalho e nos finais de semana. Também não tem muito tempo para ir às consultas, por causa do horário do trabalho. D. Joana é avó de Júlio, de 6 anos e de Luísa de 4 anos. As crianças ficam sob os cuidados de D. Joana durante o dia, quando a nora Maria Cristina de 32 anos sai trabalhar como costureira numa confecção no bairro. Maria Cristina e Marcos, que é filho de D. Joana de um primeiro relacionamento, residem numa casa próxima, um pouco mais abaixo. Marcos não se relaciona bem com o padrasto. A equipe de saúde da família está preocupada com a sobrecarga de tarefas de D. Joana, visto que está em tratamento oncológico e tem relatado nas consultas tristeza, ansiedade e medo. Ficar com os netos durante o dia para a nora trabalhar está se tornado muito cansativo. O sofrimento mental comum tem um impacto significativo e é dos agravos a saúde mais prevalentes. Seja como fator de risco, seja piorando a aderência ao tratamento, ou ainda piorando o prognóstico. D. Joana relata nas consultas que está triste, ansiosa e com medo. A equipe solicitou a ajuda do Núcleo de Apoio à saúde da Família (NASF) para organizar o cuidado com a D. Joana e outros pacientes que sofrem de sofrimento mental comum. Como o NASF pode atuar nesses casos?

Alternativas

  1. A) Encaminhamento do médico para atendimento no NASF, contra-referência com as informações relevantes para continuidade do cuidado através da equipe de Saúde da Família.
  2. B) Discussão de casos, interconsulta e intervenções no território e na saúde de grupos populacionais e da coletividade.
  3. C) Interconsulta, referenciar paciente para um ambulatório de psiquiatria, retornar ao acompanhamento na unidade após alta do psiquiatra.
  4. D) Encaminhamento do médico para atendimento e acompanhamento no NASF, retornar ao acompanhamento na unidade após o tratamento concluído.

Pérola Clínica

NASF atua no sofrimento mental comum via discussão de casos, interconsulta e ações no território/coletividade, fortalecendo a APS.

Resumo-Chave

O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) atua de forma matricial, apoiando as equipes de Saúde da Família (eSF) em casos de sofrimento mental comum, através de discussões de caso, interconsultas e ações de promoção da saúde no território, sem substituir o atendimento da eSF.

Contexto Educacional

O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) foi criado para ampliar a abrangência e a resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS), oferecendo suporte especializado às equipes de Saúde da Família (eSF). No contexto do sofrimento mental comum, o NASF desempenha um papel crucial, pois a APS é a porta de entrada preferencial para a maioria dos problemas de saúde, incluindo os de saúde mental. A sobrecarga de tarefas e o sofrimento emocional, como os vivenciados por D. Joana no caso, são situações frequentes que demandam uma abordagem integral e multiprofissional. A atuação do NASF se dá principalmente através do apoio matricial, que envolve a discussão de casos clínicos complexos com a eSF, a realização de interconsultas (atendimentos conjuntos ou compartilhados) e a promoção de intervenções no território e na coletividade. Essas ações visam qualificar a eSF para o manejo dos problemas de saúde mental, evitando encaminhamentos desnecessários para a atenção especializada e garantindo a continuidade do cuidado no próprio território do paciente. O foco é na promoção da saúde, prevenção de agravos e reabilitação psicossocial. É fundamental compreender que o NASF não substitui a eSF, mas a complementa, fortalecendo a capacidade de resposta da APS. A articulação entre os diferentes níveis de atenção e a valorização do cuidado em rede são pilares para um atendimento eficaz e humanizado. A abordagem do sofrimento mental comum na APS, com o apoio do NASF, contribui para a desestigmatização das questões de saúde mental e para a construção de comunidades mais saudáveis e acolhedoras.

Perguntas Frequentes

O que é o apoio matricial oferecido pelo NASF em saúde mental?

O apoio matricial é uma metodologia de trabalho em que profissionais do NASF (psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, etc.) oferecem suporte técnico-pedagógico e clínico às equipes de Saúde da Família, compartilhando conhecimentos e responsabilidades no cuidado aos usuários.

Quais são as principais estratégias de intervenção do NASF no território?

As intervenções no território incluem ações de educação em saúde, grupos terapêuticos, oficinas, visitas domiciliares conjuntas com a eSF, e articulação com outros serviços e recursos comunitários para promover a saúde mental e o bem-estar da população.

Como a discussão de casos pelo NASF beneficia o cuidado em saúde mental na APS?

A discussão de casos permite que a equipe da Saúde da Família e os profissionais do NASF compartilhem informações, analisem a situação do paciente de forma ampliada, definam planos terapêuticos conjuntos e capacitem a eSF para lidar com situações complexas, fortalecendo a autonomia da APS.

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