UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 90a, portadora de síndrome demencial avançada, foi trazida ao Pronto Socorro por episódio único de vômito e desidratação. Foi submetida a exames laboratoriais, tomografia de abdome, endoscopia e colonoscopia, que resultaram normais. Permaneceu internada durante uma semana, recebendo antibióticos. Após a internação, não foi mais capaz de deambular. A PROTEÇÃO CONTRA NOVAS INTERVENÇÕES DESNECESSÁRIAS, EVITANDO DANOS IATROGÊNICOS, DENOMINA-SE:
Proteger paciente de intervenções desnecessárias e danos iatrogênicos = Princípio da Não Maleficência (Primum non nocere).
O princípio da não maleficência, "primum non nocere" (primeiro, não causar dano), é fundamental na prática médica. Ele orienta a evitar intervenções que possam ser mais prejudiciais do que benéficas, especialmente em pacientes vulneráveis como idosos com comorbidades e demência avançada, onde a futilidade terapêutica deve ser considerada.
A bioética é um campo essencial na medicina, fornecendo um arcabouço moral para a tomada de decisões clínicas. Os quatro princípios fundamentais – autonomia, beneficência, não maleficência e justiça – guiam a conduta dos profissionais de saúde. A questão aborda diretamente o princípio da não maleficência, que é a obrigação de não causar dano ao paciente. Este princípio, muitas vezes resumido pela máxima "primum non nocere" (primeiro, não causar dano), é particularmente relevante em contextos de fragilidade e vulnerabilidade, como em pacientes idosos com síndromes demenciais avançadas. A iatrogenia, que se refere a qualquer efeito adverso ou dano causado por uma intervenção médica, é uma preocupação central no contexto da não maleficência. Em pacientes idosos e frágeis, a cascata iatrogênica é um risco real, onde uma intervenção inicial pode levar a uma série de eventos adversos e novas intervenções, piorando o estado geral do paciente. A fisiopatologia da fragilidade e a reserva fisiológica reduzida nesses pacientes os tornam mais suscetíveis a complicações de exames e tratamentos que seriam bem tolerados em indivíduos mais jovens. A aplicação prática da não maleficência envolve uma avaliação cuidadosa do custo-benefício de cada intervenção, especialmente quando o prognóstico é limitado ou a qualidade de vida está severamente comprometida. Isso inclui a discussão sobre futilidade terapêutica e a importância de cuidados paliativos, focando no conforto e na dignidade do paciente. Residentes devem ser treinados para reconhecer quando "menos é mais" e para comunicar de forma eficaz com pacientes e familiares sobre os limites e objetivos do tratamento, evitando a escalada terapêutica desnecessária que pode levar a mais sofrimento.
A não maleficência foca em "não causar dano" (primum non nocere), enquanto a beneficência se refere à obrigação de "fazer o bem" e agir no melhor interesse do paciente. Ambos são pilares da ética médica.
Em pacientes idosos com demência avançada, a não maleficência implica em evitar tratamentos agressivos ou invasivos que não trarão benefício significativo e podem causar sofrimento, priorizando o conforto e a qualidade de vida.
Iatrogenia refere-se a qualquer dano ou doença causada por um tratamento médico. O princípio da não maleficência exige que os profissionais de saúde minimizem o risco de iatrogenia, avaliando cuidadosamente os riscos e benefícios de cada intervenção.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo