IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Escolar de 7 anos de idade apresenta tosse produtiva com expectoração amarelada, prostração e febre baixa (38 ºC). Seu exame físico evidencia, à ausculta pulmonar, murmúrio vesicular universalmente audível, com estertores leves em bases. A saturação de O₂ é de 95%, sem esforço respiratório. É solicitada radiografia de tórax, que apresenta o seguinte padrão: Assinale a alternativa que apresenta o agente etiológico provavelmente envolvido e a conduta que deve ser adotada:
Escolar + febre baixa + tosse persistente + RX com infiltrado intersticial → Mycoplasma pneumoniae (Azitromicina).
O Mycoplasma pneumoniae é o principal agente de pneumonia atípica em escolares, caracterizado por quadro clínico insidioso e necessidade de tratamento com macrolídeos.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em escolares (acima de 5 anos) apresenta uma mudança epidemiológica importante, com aumento da incidência de agentes atípicos. O Mycoplasma pneumoniae é o protagonista nesse cenário. O quadro clássico envolve tosse persistente e mal-estar que não impedem totalmente as atividades da criança, diferente da pneumonia pneumocócica. O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico, embora a sorologia (IgM) ou PCR de orofaringe possam auxiliar. O tratamento com azitromicina por 5 dias ou claritromicina por 7-10 dias é o padrão. É importante lembrar que, apesar do padrão 'atípico', o paciente pode apresentar estertores finos à ausculta, mas raramente apresenta sinais de insuficiência respiratória grave, como observado na questão (SatO2 95%).
A pneumonia típica (geralmente pelo Streptococcus pneumoniae) apresenta início súbito, febre alta, prostração intensa e dor torácica, com RX mostrando consolidação lobar. Já a pneumonia atípica (Mycoplasma pneumoniae) tem início insidioso, febre baixa, tosse seca que se torna produtiva, sintomas extrapulmonares (cefaleia, mialgia) e um RX que parece 'pior' que o estado clínico do paciente (infiltrados intersticiais ou broncopneumônicos difusos), fenômeno conhecido como dissociação clínico-radiológica.
O Mycoplasma pneumoniae é uma bactéria que carece de parede celular de peptideoglicano. Portanto, antibióticos betalactâmicos (como penicilinas e cefalosporinas), que agem inibindo a síntese da parede celular, são totalmente ineficazes. Os macrolídeos, como a azitromicina ou claritromicina, agem inibindo a síntese proteica bacteriana (subunidade 50S do ribossomo), sendo eficazes contra patógenos intracelulares e sem parede celular.
Embora a maioria dos casos seja autolimitada ou responda bem ao tratamento, o Mycoplasma pneumoniae pode causar manifestações extrapulmonares importantes devido a mecanismos imunomediados. Entre elas destacam-se o eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson, anemia hemolítica autoimune (por aglutininas frias), encefalite, mielite transversa e artrites. O reconhecimento dessas associações é crucial em quadros sistêmicos após infecção respiratória.
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