HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023
Paciente feminino em idade escolar, dá entrada no hospital com história de febre há 3 dias, cansaço, tosse seca, dor de garganta e dores articulares no início dos sintomas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, acianótica, afebril e eupneica. Apresenta rash cutâneo difuso. A ausculta pulmonar revela sibilos difusos bilateralmente. Diante do quadro, o pediatra suspeita de infecção por Mycoplasma Pneumoniae. Foi realizado radiografia de tórax, que evidencia consolidação pulmonar predominando em lobo inferior direito e mínimo derrame pleural. Com relação a este caso, é CORRETO afirmar:
Mycoplasma pneumoniae → pneumonia atípica + manifestações extrapulmonares (rash, artralgia).
A infecção por Mycoplasma pneumoniae é conhecida por causar pneumonia atípica, mas também por uma variedade de manifestações extrapulmonares, sendo o rash cutâneo uma delas. Artralgias e tosse seca também são achados comuns, e os achados radiológicos de consolidação e derrame pleural mínimo são compatíveis.
A infecção por Mycoplasma pneumoniae é uma causa comum de pneumonia atípica, especialmente em crianças em idade escolar e adultos jovens. Caracteriza-se por um início insidioso, com sintomas como febre baixa, tosse seca persistente, dor de garganta e mal-estar. A tosse pode ser proeminente e durar semanas. Embora a pneumonia seja a manifestação mais conhecida, o Mycoplasma pneumoniae é notório por sua capacidade de causar uma ampla gama de manifestações extrapulmonares, que podem, inclusive, ser a queixa principal. Entre as manifestações extrapulmonares, as dermatológicas são relativamente comuns e incluem rash cutâneo difuso, eritema multiforme e, em casos mais graves, a síndrome de Stevens-Johnson. Outras manifestações podem afetar o sistema nervoso central (encefalite, meningite asséptica), cardiovascular (miocardite, pericardite), hematológico (anemia hemolítica) e musculoesquelético (artralgias, mialgias). Os achados radiológicos na pneumonia por Mycoplasma são variáveis, podendo incluir infiltrados intersticiais, broncopneumonia, consolidações lobares e, ocasionalmente, pequenos derrames pleurais, não descartando o diagnóstico. O diagnóstico é primariamente clínico e epidemiológico. Testes laboratoriais como PCR são os mais sensíveis e específicos para detecção precoce. A sorologia (IgM e IgG) pode ser útil, mas o IgM pode demorar a positivar. A dosagem de crioaglutininas, embora historicamente associada, é inespecífica e aparece tardiamente, não sendo recomendada para diagnóstico na fase aguda. O tratamento de escolha geralmente envolve macrolídeos (azitromicina, claritromicina) ou tetraciclinas (doxiciclina para maiores de 8 anos), devido à ausência de parede celular bacteriana, tornando os betalactâmicos ineficazes.
As manifestações extrapulmonares do Mycoplasma pneumoniae são diversas e incluem rash cutâneo (eritema multiforme, síndrome de Stevens-Johnson), artralgias, mialgias, anemia hemolítica, miocardite, pericardite, encefalite e síndrome de Guillain-Barré, entre outras.
O diagnóstico de Mycoplasma pneumoniae é primariamente clínico e epidemiológico, com suporte de exames laboratoriais como PCR (mais sensível e específico), sorologia (IgM e IgG) e, menos frequentemente, crioaglutininas, que são inespecíficas e surgem mais tardiamente na doença.
Não, os achados radiológicos de consolidação pulmonar e derrame pleural mínimo são compatíveis com pneumonia por Mycoplasma pneumoniae, que pode apresentar padrões variados na radiografia de tórax, incluindo infiltrados intersticiais, alveolares ou mistos, e ocasionalmente derrame pleural.
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