HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2022
Paciente de 12 anos com quadro de tosse coqueluchoide há 15 dias. Nega febre neste período. Irmão de 5 anos apresentou quadro semelhante há 20 dias. À ausculta pulmonar, observam-se estertores em bases e raros sibilos. O agente etiológico mais provável e o tratamento indicado estão, respectivamente, em qual opção?
Tosse coqueluchoide arrastada, sem febre, contato familiar → suspeitar de Mycoplasma pneumoniae, tratar com macrolídeo (azitromicina).
O quadro de tosse coqueluchoide prolongada (mais de 15 dias), afebril, com história de contato familiar e achados auscultatórios inespecíficos (estertores, sibilos) é altamente sugestivo de infecção por Mycoplasma pneumoniae, um agente comum de pneumonia atípica em escolares e adolescentes. O tratamento de escolha para Mycoplasma é com macrolídeos, como a azitromicina.
A tosse coqueluchoide é um sintoma característico de algumas infecções respiratórias, sendo a coqueluche (causada por Bordetella pertussis) a causa mais conhecida. No entanto, outras etiologias, como o Mycoplasma pneumoniae, podem apresentar um quadro clínico semelhante, especialmente em crianças maiores e adolescentes. O Mycoplasma pneumoniae é um agente comum de pneumonias atípicas, caracterizadas por um início insidioso, sintomas constitucionais leves e uma tosse persistente, muitas vezes seca e paroxística, que pode durar semanas. A ausência de febre, a duração prolongada da tosse (mais de 15 dias) e a história de contato com um irmão com quadro semelhante são pistas importantes que direcionam para o diagnóstico de infecção por Mycoplasma pneumoniae. Ao contrário das pneumonias bacterianas típicas, que respondem a beta-lactâmicos, o Mycoplasma não possui parede celular, o que o torna resistente a esses antibióticos. O tratamento de escolha para infecções por Mycoplasma pneumoniae são os macrolídeos, como a azitromicina, claritromicina ou eritromicina. A azitromicina é frequentemente preferida devido à sua posologia conveniente (dose única diária por poucos dias) e bom perfil de segurança. Para residentes, é fundamental considerar o Mycoplasma pneumoniae no diagnóstico diferencial de tosse prolongada em escolares e adolescentes, a fim de instituir o tratamento antibiótico correto e evitar o uso desnecessário de outras classes de antibióticos.
A infecção por Mycoplasma pneumoniae frequentemente se apresenta como uma pneumonia atípica, com início insidioso, tosse seca e persistente (muitas vezes coqueluchoide), febre baixa ou ausente, cefaleia e mal-estar. Pode haver manifestações extrapulmonares como mialgias e artralgias.
A azitromicina é um macrolídeo, classe de antibióticos que atua inibindo a síntese proteica bacteriana. É eficaz contra Mycoplasma pneumoniae porque essa bactéria não possui parede celular, tornando-a resistente a antibióticos beta-lactâmicos (como amoxicilina) que agem na parede celular.
Embora ambas causem tosse coqueluchoide, a coqueluche clássica (Bordetella pertussis) geralmente tem uma fase catarral inicial, seguida por paroxismos de tosse com guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, sendo mais grave em lactentes. Mycoplasma é mais comum em escolares/adolescentes, com curso mais arrastado e afebril, e sem o guincho clássico. A epidemiologia e a resposta ao tratamento também ajudam na diferenciação.
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