CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2013
Com relação à complicação de músculo "perdido" em cirurgia de estrabismo:
Músculo perdido no pós-op → Reoperação imediata para evitar retração e fibrose.
O músculo perdido é uma complicação grave onde o ventre muscular se desprende e retrai. O diagnóstico precoce exige exploração cirúrgica imediata para evitar que o músculo se perca no espaço retrobulbar.
O músculo perdido é uma das complicações mais temidas na cirurgia de estrabismo. Pode ocorrer tanto em técnicas de retrocesso quanto de ressecção, geralmente devido a falha na sutura, ruptura do fio ou do próprio tecido muscular. O uso de fios absorvíveis como a poliglactina (Vicryl®) é o padrão e não é contraindicado, desde que a técnica de sutura seja adequada. Clinicamente, o paciente apresenta um desvio de grande ângulo e limitação severa da motilidade na direção do músculo afetado. Durante a exploração cirúrgica, o cirurgião deve buscar o músculo dentro da cápsula de Tenon, muitas vezes utilizando manobras para induzir o reflexo oculocardíaco ou solicitando ao paciente (se sob anestesia local) que tente mover o olho, facilitando a visualização do ventre muscular retraído.
Um músculo é considerado 'perdido' quando seu ventre se desprende da esclera ou da sutura e retrai-se para dentro da cápsula de Tenon, podendo chegar ao ápice orbitário. Difere do músculo 'escorregado', onde a cápsula muscular permanece suturada à esclera, mas as fibras musculares deslizam para trás dentro da cápsula.
No caso de um músculo perdido, o teste de geração de força mostrará ausência de tração ou um 'tranco' muito fraco quando se tenta mover o olho na direção de ação daquele músculo, indicando que ele não está mais exercendo força sobre o globo ocular. Isso ajuda a diferenciar de paralisias nervosas ou restrições mecânicas.
A reoperação deve ser realizada o mais rápido possível. Não se deve aguardar a diminuição do edema ou inflamação, pois a retração muscular e a formação de aderências cicatriciais tornam a busca pelo músculo extremamente difícil após os primeiros dias, podendo exigir acesso por imagem (TC/RM) ou exploração por especialistas em órbita.
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