Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2020
Um adolescente do sexo masculino, 13 anos, vem à consulta solicitando atestado para fazer musculação na academia. O exame físico indica peso no percentil 3, estatura no percentil 25, Tanner G3P2.Neste caso qual a melhora decisão?
Musculação intensa em adolescentes com placas de crescimento abertas pode gerar lesões epifisárias e potencial prejuízo à estatura final.
A musculação em adolescentes, especialmente com cargas elevadas e técnica inadequada, pode causar lesões nas placas de crescimento (epífises), que ainda estão abertas. Essas lesões podem, em teoria, levar a um fechamento prematuro das placas e, consequentemente, a um prejuízo na estatura final. Por isso, a liberação deve ser cautelosa e orientada.
A prática de atividades físicas na adolescência é fundamental para o desenvolvimento saudável, mas a musculação, em particular, gera muitas dúvidas e preocupações, especialmente em relação ao seu impacto no crescimento estatural. É uma questão comum em consultórios pediátricos e de medicina do esporte, e o profissional deve estar apto a orientar pais e adolescentes de forma segura e embasada. A fase puberal é marcada por intensas mudanças hormonais e de crescimento, com as placas epifisárias ainda abertas, tornando o esqueleto mais vulnerável a certos tipos de estresse. O principal ponto de preocupação com a musculação em adolescentes é o risco de lesões nas placas de crescimento. Essas estruturas cartilaginosas, localizadas nas extremidades dos ossos longos, são responsáveis pelo crescimento longitudinal. Traumas repetitivos ou cargas excessivas podem danificar essas placas, levando a um fechamento prematuro e, consequentemente, a um potencial prejuízo na estatura final. O caso do adolescente com peso no percentil 3 e estatura no percentil 25, em estágio Tanner G3P2, indica que ele ainda está em fase de crescimento ativo e não atingiu a maturação esquelética completa. Portanto, a decisão mais segura é não liberar a musculação intensa ou com cargas elevadas antes que o adolescente atinja a maturação esquelética completa. Programas de treinamento de força devem ser supervisionados, focando em técnica, com cargas leves e progressão gradual, priorizando exercícios com peso corporal e resistência leve. O objetivo é promover a força e a saúde óssea sem comprometer o crescimento. A avaliação do estágio de Tanner é uma ferramenta clínica importante para estimar o grau de maturação puberal e, indiretamente, o risco de lesões nas placas de crescimento.
Em adolescentes, as placas de crescimento (epífises) ainda não estão fusionadas. A musculação com cargas excessivas ou técnica inadequada pode causar lesões nessas placas, como fraturas ou epifisiólises. Tais lesões podem levar a um fechamento prematuro da placa, resultando em deformidades ósseas ou, teoricamente, um prejuízo na estatura final do indivíduo.
Não, a musculação não é totalmente contraindicada. Programas de treinamento de força bem supervisionados, com foco em técnica correta, cargas leves a moderadas e progressão gradual, são seguros e benéficos para adolescentes, melhorando a força, a composição corporal e a saúde óssea. O problema reside no treinamento de alta intensidade e cargas máximas, especialmente antes da maturação esquelética completa.
A musculação com menos restrições pode ser considerada após a maturação esquelética, que geralmente ocorre no final da puberdade, quando as placas de crescimento já estão fusionadas. Isso é avaliado clinicamente pelos estágios de Tanner (G5P5 para meninos) e, se necessário, por radiografias de idade óssea. Até lá, a ênfase deve ser em exercícios de força com peso corporal e cargas leves.
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