CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2009
Mulher de 30 anos de idade apresentou baixa visual unilateral associada a escotomas centrais, fotopsias, precedidas de quadro gripal. Ao exame não apresentava reação de câmara anterior. À fundoscopia apresentava pontos de coroidite, mal definidos no polo posterior até retina periférica com aspecto granular na fóvea. Houve melhora dos sinais e sintomas uma semana depois, mesmo sem tratamento. Com relação a este caso, o diagnóstico mais provável é:
MEWDS → Mulher jovem + Pródromo viral + Pontos brancos + Granularidade foveal + Autolimitada.
A MEWDS é uma síndrome inflamatória idiopática da retina externa e coroides, tipicamente unilateral, que se resolve espontaneamente sem deixar sequelas graves.
A Síndrome dos Pontos Brancos Múltiplos Evanescentes (MEWDS) faz parte do espectro das 'White Dot Syndromes', doenças inflamatórias coriorretinianas idiopáticas. Ela acomete preferencialmente mulheres jovens (proporção de 3:1) e em cerca de 50% dos casos há um pródromo de doença viral sistêmica, sugerindo um gatilho imunológico pós-infeccioso. A fisiopatologia envolve um insulto primário aos fotorreceptores e ao EPR. Diferente de outras coroidites, a MEWDS é notavelmente unilateral e não deixa cicatrizes coriorretinianas permanentes na maioria dos casos. O diagnóstico diferencial deve incluir a Coroidite Multifocal (MFC), que é bilateral e cicatricial, e a Retinopatia Externa Oculta Zonal Aguda (AZOOR). O reconhecimento da granularidade foveal é a chave para o diagnóstico clínico rápido e para evitar tratamentos agressivos desnecessários.
Os achados típicos incluem múltiplos pontos brancos pequenos (100-200 micra), mal definidos, localizados ao nível da retina externa ou epitélio pigmentado da retina (EPR), estendendo-se do polo posterior até a periferia média. Um sinal patognomônico é a 'granularidade foveal' (aspecto de pequenos pontos alaranjados na fóvea). Outros sinais podem incluir edema de disco óptico discreto e células no vítreo posterior, mas a câmara anterior costuma estar calma.
O prognóstico é excelente. A MEWDS é uma condição 'evanescente', o que significa que as lesões e os sintomas (baixa visual, escotomas e fotopsias) tendem a desaparecer espontaneamente em um período de 2 a 10 semanas. A acuidade visual geralmente retorna ao normal ou próximo ao normal (20/20), e as alterações no campo visual e no eletrorretinograma (ERG) também se normalizam. Por ser autolimitada, o tratamento com corticosteroides geralmente não é necessário.
A angiografia fluoresceínica mostra hiperfluorescência precoce em 'coroa' nas lesões e impregnação tardia. A autofluorescência é muito útil, revelando pontos hiperautofluorescentes que correspondem às lesões ativas, muitas vezes sendo mais sensível que a fundoscopia. O OCT de domínio espectral (SD-OCT) mostra a interrupção da zona elipsoide (junção dos segmentos internos/externos dos fotorreceptores), que se recupera conforme a doença regride.
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