Manejo da Multimorbidade em Idosos na ESF: Abordagem

Universidade de Rio Verde - Campus Rio Verde — Prova 2018

Enunciado

Durante a reunião de equipe, a agente comunitária de saúde (ACS) informa que D. Elza, paciente que o MFC acompanha há tempos como médico da Estratégia Saúde da Família (ESF), acabou de ter alta hospitalar, e que os familiares solicitam visita domiciliar (VD). Histórico de acompanhamento da D. Elza: idosa na faixa dos 70 anos, portadora de diabetes e hipertensão arterial de longa data, coronariopata com dois episódios prévios de IAM. Nos últimos atendimentos, a paciente evoluía com uma piora pronunciada da função renal, associada à proteinúria, que provavelmente se devia à dificuldade de controle da hipertensão e do diabetes. Já estava prestes a entrar no grau IV de insuficiência renal crônica, segundo estimativas. D. Elza possuía uma adesão insuficiente às orientações alimentares e apresentava alternância importante entre crises de hiperglicemia e hipoglicemia. Durante a VD, o MFC encontra a paciente acamada por causa de escaras nos calcâneos e de fraqueza muscular generalizada. O filho, muito abatido, informa que a maior dificuldade da família não têm sido os cuidados com as feridas ou as queixas de dor da paciente, mas as intermináveis noites acordadas por gritos, pois a paciente acreditava que a vizinha estava colocando bichos no seu quarto, como ratos e cobras, e que o marido, em vez de sair pra trabalhar, ia se encontrar com suas amantes. Conversando com d. Elza, ela se queixa do descaso dos familiares, das dores insuportáveis que sente ao trocar os curativos e do desejo de morrer para não mais ter que vivenciar "essa humilhação". No exame físico, d. Elza apresenta diversos sinais de congestão, que juntamente com o ecocardiograma (ECG) realizado no hospital, confirmam o diagnóstico de insuficiência cardíaca. O MFC acredita que no momento ela se encontrava assintomática por ausência de esforço físico. Na ocasião da VD, d. Elza utilizava algumas medicações prescritas pelo MFC anteriormente e, outras iniciadas durante a internação: - Insulina NPH fixa; - Insulina regular apenas para correção; - AAS 100mg (0-1-0); - Anlodipina 10 mg (0-0-1); - Carvedilol 25 mg (1-0-1); - Furosemida 40 mg (1-0-0); - Losartana 50 mg (1-0-0); - Sinvastatina 40 mg (0-0-1); - Clonidina 0,1 mg (0- 0-1); - Dipirona e codeína/paracetamol (SOS). Analisando a d. Elza como uma paciente com multimorbidade, as condutas abaixo são essenciais para o manejo, EXCETO:

Alternativas

  1. A) Foi preciso definir, em conjunto com a família, que haveria um cuidador principal, para se responsabilizar pela centralização das informações, acompanhamento da paciente nas consultas e coordenação dos cuidados em casa, além de promover o cuidado compartilhado com o esposo da paciente e as irmãs da paciente, que são vizinhas à casa da d. Elza.
  2. B) Além da tristeza e do medo provocado pelas alucinações, havia prioridade de reduzir as dores excruciantes sentidas durante a manipulação da ferida. Otimizou-se a analgesia da paciente, com introdução de um medicamento adjuvante ao esquema que já estava em uso, no caso para dor neuropática.
  3. C) Foi feita uma revisão das evidências sobre manejo do diabetes com IR C. Diante da existência de complicações macro e microvasculares, do longo tempo de diagnóstico de diabetes e do estado clínico e prognóstico delicado da paciente, os alvos de glico-hemoglobina deveriam ser suficientes apenas para evitar tanto as complicações agudas quanto uma progressão rápida da insuficiência renal. Nos estudos, se observou que a IRC avançada poderia alterar o metabolismo da insulina, aumentando sua meia- vida e tornando de difícil previsibilidade seu pico de ação.
  4. D) Discutiu-se com os familiares sobre as questões prioritárias e o MFC definiu que o principal ponto a ser definido era o controle glicêmico.

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