Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2015
Mulher de 20 anos de idade vem à unidade básica de saúde com queixa de períodos menstruais com sangramento abundante (menorragia). É virgem, o exame físico é normal, não há sinais de anemia e a ultrassonografia pélvica demonstrou útero de 60cm³ de volume e ovários ao redor de 5cm³. Miométrio homogêneo e endométrio normo- espessado. A melhor conduta a ser tomada é:
Menorragia em virgem sem causa estrutural → iniciar antifibrinolíticos (ácido tranexâmico) e AINES durante sangramento.
Em casos de menorragia em adolescentes ou mulheres jovens virgens, sem evidência de causa estrutural ou sistêmica (como distúrbios de coagulação), a primeira linha de tratamento são os antifibrinolíticos (como ácido tranexâmico) e AINEs, que reduzem o fluxo menstrual e a dor, respectivamente, sem interferir na fertilidade.
A menorragia, ou sangramento menstrual intenso (SMI), é uma queixa comum que afeta significativamente a qualidade de vida das mulheres. Em adolescentes e mulheres jovens virgens, a etiologia mais frequente é a disfunção ovulatória, resultando em ciclos anovulatórios e sangramento irregular e prolongado. É crucial excluir causas orgânicas (pólipos, miomas, adenomiose) e distúrbios de coagulação, que podem ser mais prevalentes em jovens com sangramento grave. A ultrassonografia pélvica é o exame de imagem de primeira linha para avaliar a anatomia uterina e ovariana. A fisiopatologia da menorragia disfuncional envolve um desequilíbrio entre fatores vasoconstritores e vasodilatadores no endométrio, além de alterações na fibrinólise local. O diagnóstico é clínico, baseado na história de sangramento excessivo que interfere nas atividades diárias, e na exclusão de outras causas. Exames laboratoriais como hemograma completo e testes de coagulação são importantes para avaliar anemia e distúrbios hemorrágicos. A conduta inicial para menorragia em pacientes virgens, sem causa estrutural e sem desejo contraceptivo, geralmente envolve o uso de antifibrinolíticos (como ácido tranexâmico) e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) durante o período de sangramento. Os antifibrinolíticos reduzem o fluxo menstrual em até 50%, enquanto os AINEs diminuem a produção de prostaglandinas, aliviando a dor e o volume do sangramento. Anticoncepcionais hormonais são uma opção eficaz, mas podem ser reservados para casos refratários ou quando há desejo contraceptivo.
As causas mais comuns incluem disfunção ovulatória (ciclos anovulatórios), coagulopatias (doença de von Willebrand), distúrbios plaquetários e, menos frequentemente, pólipos endometriais ou adenomiose.
Antifibrinolíticos, como o ácido tranexâmico, inibem a ativação do plasminogênio em plasmina, reduzindo a fibrinólise e, consequentemente, a degradação do coágulo endometrial, o que diminui o sangramento menstrual.
O tratamento hormonal, como anticoncepcionais orais combinados, é considerado quando os antifibrinolíticos e AINEs não são eficazes, quando há desejo contraceptivo, ou em casos de sangramento uterino disfuncional mais grave associado à anovulação crônica.
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