CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2023
Mulher, 24 anos, vai ao consultório referindo que há 4 meses apresenta cefaleia unilateral, latejante, com fotofobia e náuseas. Melhora com uso de dipirona e piora ao subir escadas. Tem tido 2 episódios/semana, que chegam a durar cerca de 6 horas e já atrapalham suas atividades de trabalho. Tem histórico de alguns episódios de broncoespasmo em vigência de quadros gripais e já fez cirurgia de apendicectomia. Menstruação regular. Ao exame: IMC (índice de massa corpórea): 27kg / m²; PA: 130x80; nuca livre, sem sinais neurológicos focais. Analise as assertivas a seguir e marque a alternativa com hipótese diagnostica e tratamento mais adequados ao caso:
Migrânea com broncoespasmo → evitar betabloqueadores; Topiramato é boa opção profilática.
O quadro clínico é clássico de migrânea, e a frequência de crises (2/semana) indica necessidade de profilaxia. O histórico de broncoespasmo contraindica o uso de betabloqueadores como o propranolol. O topiramato é uma excelente opção profilática, e AINEs como o naproxeno são eficazes para crises agudas.
A migrânea é uma cefaleia primária comum, caracterizada por crises de dor de cabeça unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, associada a sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia, e que piora com atividade física. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias. Quando as crises são frequentes (mais de 4 por mês) ou incapacitantes, a profilaxia é indicada. A escolha do tratamento profilático deve considerar as comorbidades do paciente. No caso de histórico de broncoespasmo ou asma, betabloqueadores (como o propranolol) são contraindicados devido ao risco de exacerbação da doença respiratória. Nesses casos, outras opções como o topiramato (um anticonvulsivante) ou a amitriptilina (um antidepressivo tricíclico) são preferíveis. O topiramato, em particular, pode ser vantajoso em pacientes com sobrepeso, pois pode induzir perda de peso. Para o tratamento agudo das crises, analgésicos comuns (dipirona, paracetamol), anti-inflamatórios não esteroides (AINEs como naproxeno, ibuprofeno) são as primeiras escolhas para crises leves a moderadas. Para crises mais intensas, os triptanos são específicos para migrânea e muito eficazes, mas devem ser usados com cautela em pacientes com risco cardiovascular.
A migrânea é diagnosticada por crises de cefaleia unilateral, pulsátil, de intensidade moderada a grave, que piora com atividade física, associada a náuseas/vômitos e/ou fotofobia/fonofobia, com duração de 4 a 72 horas.
Betabloqueadores podem causar broncoconstrição e exacerbar o broncoespasmo ou crises de asma, sendo, portanto, contraindicados em pacientes com histórico dessas condições respiratórias.
Outras opções incluem anticonvulsivantes como topiramato e divalproato, antidepressivos tricíclicos como amitriptilina, bloqueadores de canais de cálcio como flunarizina, e mais recentemente, anticorpos monoclonais anti-CGRP.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo