UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020
Mulher, 35 anos, tem uma cesárea prévia e ainda não decidiu se deseja ou não outro filho no futuro, mas sem planos no momento. Há 01 ano com dismenorreia e menorragia importante, ultrassonografia transvaginal demonstra útero discretamente aumentado de volume com borramento da interface endomiometrial, sem outras alterações. Nega comorbidades, mas refere que a mãe teve trombose venosa profunda há 05 anos. Assinale a alternativa que indica a hipótese diagnóstica e melhor forma de tratamento:
Adenomiose (útero aumentado, borramento endomiometrial) → Desogestrel oral para dismenorreia e menorragia.
A adenomiose é caracterizada por dismenorreia e menorragia, com útero aumentado e borramento da interface endomiometrial na USG. O desogestrel oral é uma progesterona isolada que pode ser usada para controle dos sintomas, especialmente em pacientes com risco de trombose (mãe com TVP), onde estrogênios seriam contraindicados.
A paciente apresenta um quadro clínico clássico de adenomiose: mulher de 35 anos, com cesárea prévia (fator de risco), queixa de dismenorreia e menorragia importante há um ano. A ultrassonografia transvaginal reforça a suspeita com achados de útero discretamente aumentado de volume e borramento da interface endomiometrial, que são sinais ultrassonográficos característicos da adenomiose. A adenomiose é a presença de tecido endometrial ectópico dentro do miométrio, causando hipertrofia e hiperplasia do músculo liso uterino. O tratamento da adenomiose visa aliviar os sintomas, principalmente a dor e o sangramento. Opções incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), terapias hormonais e, em casos refratários ou desejo de não ter mais filhos, histerectomia. Entre as terapias hormonais, os progestagênios são muito eficazes. Neste caso, a história familiar de trombose venosa profunda (TVP) na mãe da paciente é um ponto crucial. O uso de anticoncepcionais orais combinados (AOCs), que contêm estrogênio, aumentaria o risco trombótico da paciente. O desogestrel oral é um progestagênio isolado, que não contém estrogênio e, portanto, não aumenta o risco de trombose, tornando-o uma escolha segura e eficaz para o controle dos sintomas da adenomiose nesta paciente. A ablação de endométrio pode ser considerada em casos selecionados de menorragia refratária, mas não trata a adenomiose miometrial subjacente de forma completa e não é a primeira linha, especialmente em quem ainda não decidiu sobre futura gestação. Endometriose inicial é um diagnóstico diferencial, mas os achados ultrassonográficos e a queixa de útero aumentado são mais sugestivos de adenomiose.
Os sintomas clássicos da adenomiose incluem dismenorreia (cólicas menstruais intensas), menorragia (sangramento menstrual excessivo e prolongado) e, em alguns casos, dor pélvica crônica.
A ultrassonografia transvaginal pode sugerir adenomiose ao mostrar um útero aumentado de volume, assimetria das paredes uterinas, cistos miometriais, e o sinal de "borramento" ou "zona juncional irregular" na interface endomiometrial.
O desogestrel oral é um progestagênio isolado que atua suprimindo a ovulação e induzindo atrofia endometrial, o que alivia a dismenorreia e a menorragia. É uma excelente opção para pacientes com risco de trombose (como a história familiar de TVP), pois não contém estrogênio, que aumentaria esse risco.
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