Melena Pós-Cirúrgica: Manejo Inicial e Fatores de Risco

Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 62 anos, submetida a mastectomia radical para tratamento de adenocarcinoma mamário, complementada por quimioterapia. Retornou em consulta com cirurgião mastologista após uma semana da cirurgia, referindo melena há 2 dias, sem outros sintomas ou queixas associadas; estável hemodinamicamente. A orientação inicial mais adequada nessa situação é:

Alternativas

  1. A) investigar presença de metástases no trato gastrointestinal alto.
  2. B) realizar cintilografia com hemácias marcadas.
  3. C) angioembolização dos vasos sangrantes.
  4. D) suspender uso de AINHE e administrar antiácidos.
  5. E) indicar colonoscopia imediata.

Pérola Clínica

Melena em paciente pós-cirúrgica/quimioterapia, estável hemodinamicamente → investigar uso de AINEs e iniciar proteção gástrica.

Resumo-Chave

Melena indica sangramento gastrointestinal alto. Em pacientes pós-cirúrgicos e em quimioterapia, o uso de AINEs é um fator de risco comum para úlceras e sangramentos. A estabilidade hemodinâmica permite uma abordagem conservadora inicial, focada na suspensão do agente agressor e proteção gástrica.

Contexto Educacional

Melena é a eliminação de fezes escuras, brilhantes e com odor fétido, indicando sangramento gastrointestinal alto (acima do ligamento de Treitz) com tempo suficiente para a digestão do sangue. Em pacientes pós-cirúrgicos, especialmente aqueles submetidos a quimioterapia, a incidência de complicações gastrointestinais pode ser elevada. O reconhecimento precoce e a estratificação de risco são cruciais para o manejo adequado. A fisiopatologia do sangramento gastrointestinal alto pode envolver úlceras pépticas (gástricas ou duodenais), esofagites, varizes esofágicas ou lesões de Mallory-Weiss. Em pacientes oncológicos, a quimioterapia pode causar mucosite, e o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para dor pós-operatória ou outras queixas é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de úlceras e erosões gástricas, que podem sangrar. A conduta inicial depende da estabilidade hemodinâmica do paciente. Em um paciente estável, a prioridade é identificar e remover fatores precipitantes, como AINEs, e iniciar terapia com inibidores de bomba de prótons (IBP) para reduzir a acidez gástrica e promover a cicatrização. A investigação diagnóstica, geralmente por endoscopia digestiva alta, pode ser programada após a estabilização inicial. A angioembolização ou cirurgia são reservadas para casos de sangramento refratário ou instabilidade hemodinâmica.

Perguntas Frequentes

O que a presença de melena indica clinicamente?

Melena indica sangramento gastrointestinal alto (acima do ligamento de Treitz), onde o sangue foi digerido, resultando em fezes escuras, brilhantes e com odor fétido. É um sinal de alerta para hemorragia digestiva.

Por que os AINEs são um fator de risco para sangramento gastrointestinal?

Os AINEs inibem a ciclo-oxigenase, reduzindo a produção de prostaglandinas, que são protetoras da mucosa gástrica. Essa inibição pode levar à formação de úlceras e erosões, aumentando o risco de sangramento.

Qual a importância da estabilidade hemodinâmica no manejo da melena?

A estabilidade hemodinâmica é crucial para determinar a urgência da intervenção. Pacientes estáveis permitem uma abordagem inicial mais conservadora, com tempo para suspender agentes agressores e iniciar terapia protetora antes de procedimentos diagnósticos invasivos.

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