Hanseníase: Diagnóstico Clínico e Agente Etiológico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 26 anos queixa-se de mancha vermelha na coxa direita há 5 meses. Ao exame dermatoneurológico evidenciou-se placa eritemato-hipocrômica de 3 cm de diâmetro com redução da sensibilidade para o frio e dor, além de espessamento à palpação do nervo fibular em membro inferior direito. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O agente etiológico provável é o Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, parasita intracelular obrigatório, com afinidade pelas células de Schwann.
  2. B) Na hanseníase, a sensibilidade tátil é a primeira a se alterar, seguida pela térmica.
  3. C) A paciente deverá realizar necessariamente a eletroneuromiografia para o diagnóstico de hanseníase.
  4. D) O tratamento da hanseníase deverá seguir o esquema poliquimioterápico padrão, ou seja, rifampicina, isoniazida e dapsona.
  5. E) Hanseníase trata-se de uma doença benigna, porém sem cura.

Contexto Educacional

A hanseníase, também conhecida como doença de Hansen, é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae. É uma das doenças mais antigas da humanidade e ainda representa um problema de saúde pública em algumas regiões, incluindo o Brasil. A doença afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, as vias aéreas superiores, os olhos e os testículos, levando a incapacidades físicas se não tratada precocemente. O Mycobacterium leprae é um bacilo álcool-ácido resistente, intracelular obrigatório, que se replica lentamente e tem um tropismo particular pelas células de Schwann dos nervos periféricos e por macrófagos. Essa afinidade pelas células de Schwann é a base da neuropatia hansênica, que se manifesta por alterações de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) e espessamento de nervos. A lesão cutânea descrita (placa eritemato-hipocrômica com redução de sensibilidade) e o espessamento do nervo fibular são achados clássicos da hanseníase. O diagnóstico da hanseníase é clínico, baseado na presença de um ou mais dos seguintes critérios: lesão(ões) de pele com alteração de sensibilidade, espessamento e/ou dor em nervo(s) periférico(s), e baciloscopia positiva. A eletroneuromiografia não é necessária para o diagnóstico, mas pode ser útil para avaliar a extensão do comprometimento neural. O tratamento é feito com poliquimioterapia (PQT) padronizada pela OMS, que inclui rifampicina, dapsona e clofazimina, dependendo da classificação (paucibacilar ou multibacilar), e não isoniazida. A hanseníase é curável, especialmente se diagnosticada e tratada precocemente, prevenindo incapacidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da hanseníase?

Os principais sinais incluem manchas na pele (hipocrômicas, eritematosas ou acastanhadas) com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil), espessamento e dor em nervos periféricos, e perda de pelos ou anidrose nas lesões.

Qual o agente etiológico da hanseníase e sua principal característica?

O agente etiológico é o Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen), um parasita intracelular obrigatório com notável afinidade pelas células de Schwann dos nervos periféricos, o que explica as manifestações neurológicas da doença.

Como é feito o diagnóstico da hanseníase?

O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado no exame dermatoneurológico. A baciloscopia de esfregaço intradérmico e a biópsia de pele ou nervo podem ser utilizadas como exames complementares para confirmar e classificar a doença.

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