Cervicite: Diagnóstico e Tratamento Empírico de ISTs

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 28 anos, queixa-se de corrimento vaginal com odor fétido e dispareunia. Ao exame especular, notou-se o colo do útero hiperemiado, sangrando facilmente durante o exame, e com saída de secreção purulenta pelo orifício cervical externo. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Creme vaginal de miconazol.
  2. B) Ceftriaxona + azitromicina.
  3. C) Metronidazol.
  4. D) Penicilina Benzatina.

Pérola Clínica

Cervicite purulenta + colo friável → Tratar empiricamente para Gonorreia e Clamídia (Ceftriaxona + Azitromicina).

Resumo-Chave

A apresentação clínica de corrimento vaginal fétido, dispareunia, colo uterino hiperemiado, friável e com secreção purulenta é altamente sugestiva de cervicite, frequentemente causada por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis. A conduta recomendada é o tratamento empírico para ambas as infecções, geralmente com Ceftriaxona e Azitromicina, para prevenir complicações como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP).

Contexto Educacional

A cervicite é uma inflamação do colo uterino, frequentemente causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A apresentação clínica descrita, com corrimento vaginal fétido, dispareunia, colo hiperemiado, friável e com secreção purulenta pelo orifício cervical externo, é altamente sugestiva de cervicite mucopurulenta, sendo a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis os patógenos mais comuns. A prevalência dessas infecções justifica a abordagem empírica. A fisiopatologia envolve a infecção das células colunares do endocérvice pelos patógenos, levando à inflamação e produção de exsudato purulento. A friabilidade do colo (sangramento fácil ao toque) é um sinal clássico. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos achados do exame especular, embora testes laboratoriais para gonorreia e clamídia (NAATs - Testes de Amplificação de Ácidos Nucleicos) sejam ideais para confirmação e controle de cura, quando disponíveis. A suspeita deve ser alta em mulheres sexualmente ativas com esses sintomas. A conduta terapêutica para cervicite mucopurulenta, especialmente na ausência de resultados laboratoriais imediatos, é o tratamento empírico para gonorreia e clamídia. O esquema recomendado inclui Ceftriaxona (dose única intramuscular) para gonorreia e Azitromicina (dose única oral) para clamídia. Este tratamento combinado é crucial para cobrir ambos os patógenos e prevenir complicações ascendentes, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que pode ter consequências graves para a saúde reprodutiva da mulher. É fundamental também orientar sobre o tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is) e o uso de preservativos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da cervicite purulenta?

Os principais agentes etiológicos da cervicite purulenta são a Neisseria gonorrhoeae e a Chlamydia trachomatis. Outros agentes, como Mycoplasma genitalium e herpes simplex vírus, também podem causar cervicite, mas são menos comuns na apresentação purulenta.

Por que o tratamento empírico para gonorreia e clamídia é recomendado na cervicite?

O tratamento empírico é recomendado devido à alta taxa de coinfecção por N. gonorrhoeae e C. trachomatis, à dificuldade de diferenciar clinicamente as duas infecções e à necessidade de iniciar o tratamento rapidamente para prevenir complicações graves, como a Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e infertilidade.

Quais são as complicações de uma cervicite não tratada?

Uma cervicite não tratada pode levar a complicações sérias, incluindo Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que pode causar dor pélvica crônica, infertilidade e gravidez ectópica. Além disso, aumenta o risco de transmissão de HIV e outras ISTs.

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