Diagnóstico de Demência no Idoso: Critérios e Avaliação

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 72 anos de idade, professora aposentada, queixa que sua mente está lenta, que guarda objetos e depois não os acha. A paciente relata que gosta de passear, apesar de estar lenta para caminhar. Tem boa disposição, dorme bem e nega sonolência diurna. Ela é voluntária em uma ONG e gosta bastante de realizar esta atividade. Sua filha relata que há 1 ano a paciente tem se mostrado mais triste, às vezes quieta, tem se esquecido de acontecimentos do cotidiano, confundese com datas e parece ter momentos de confusão. Ultimamente, tem necessitado de auxílio para cuidar das finanças. Apresenta hipotiroidismo bem controlado e nenhuma medicação recente. Exame físico: nada digno de nota. Mini-mental: 21/30. Teste do desenho do relógio: 15/15. Escala de depressão geriátrica (GDS): 0/15. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Depressão maior no idoso.
  2. B) Demência.
  3. C) Delirium.
  4. D) Hidrocefalia de pressão normal.

Pérola Clínica

Declínio cognitivo + Perda de autonomia funcional (finanças) - Depressão = Demência.

Resumo-Chave

O diagnóstico de demência baseia-se na presença de déficit cognitivo persistente associado ao prejuízo funcional nas atividades de vida diária, independentemente de alterações de humor.

Contexto Educacional

A síndrome demencial é caracterizada por um declínio cognitivo progressivo que impacta a autonomia do indivíduo. No caso apresentado, a paciente manifesta esquecimentos, confusão com datas e, crucialmente, a perda da capacidade de gerir suas finanças, o que caracteriza o prejuízo funcional. A Doença de Alzheimer é a causa mais comum, mas o termo 'Demência' engloba o diagnóstico sindrômico inicial. É vital realizar o diagnóstico diferencial. O 'Delirium' é descartado pela cronicidade (1 ano) e ausência de flutuação aguda do nível de consciência. A 'Hidrocefalia de Pressão Normal' exigiria a tríade de Hakim-Adams (apraxia da marcha, incontinência urinária e demência), e a paciente caminha bem. A 'Depressão' foi descartada pela escala GDS zerada. Assim, a combinação de déficit no MMSE e perda funcional confirma a hipótese de Demência.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios fundamentais para o diagnóstico de demência?

O diagnóstico de demência requer a evidência de declínio cognitivo em um ou mais domínios (memória, linguagem, função executiva, etc.) em relação ao nível prévio, e que esses déficits sejam graves o suficiente para interferir na independência do indivíduo nas atividades de vida diária (prejuízo funcional). Além disso, os sintomas não devem ocorrer exclusivamente no contexto de delirium ou serem melhor explicados por outro transtorno mental, como a depressão.

Como diferenciar demência de depressão (pseudodemência)?

A depressão no idoso pode mimetizar déficits cognitivos. No entanto, na depressão, o paciente costuma se queixar muito de sua memória ('queixa subjetiva'), enquanto na demência o paciente muitas vezes minimiza os erros (anosognosia). O uso de escalas como a GDS (Escala de Depressão Geriátrica) ajuda: um escore baixo (como 0/15) afasta depressão, reforçando que o déficit cognitivo e funcional observado é de origem neurodegenerativa.

Qual a importância do Mini-mental (MEEM) neste caso?

O Mini-Exame do Estado Mental é uma ferramenta de rastreio. Um escore de 21/30, para uma paciente com escolaridade de professora, é sugestivo de comprometimento cognitivo significativo. Embora o teste do relógio possa estar normal em fases iniciais ou dependendo da reserva cognitiva, o MEEM baixo associado à necessidade de auxílio nas finanças (perda de atividade instrumental de vida diária) fecha o critério para síndrome demencial.

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