HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020
Mulher, 25 anos, procura a Unidade Básica de Saúde com cefaleia hemicraniana à esquerda, de moderada intensidade, há 7 horas, acompanhada de fonofobia, fotofobia, náuseas e vômitos. Apresenta crises semelhantes 3 vezes ao mês, com idas ao pronto- atendimento, sem melhora com o uso de ácido acetilsalicílico e paracetamol para controle da dor. Refere ainda que o quadro iniciou e se mantém com o mesmo padrão desde os 18 anos. Nega pródromos e sintomas de aura. Apresenta diagnóstico prévio de asma. Exame físico geral e neurológico dentro da normalidade. Em relação ao quadro clínico acima, afirma-se: I. Deve-se indicar profilaxia com propranolol por um período mínimo de 6 meses e, após, iniciar retirada gradual da medicação. II. Dipirona e anti- inflamatórios não-esteroides serão as próximas opções terapêuticas para o manejo das crises de dor. III. Indica-se realizar tomografia de crânio ou ressonância magnética, mesmo com exame neurológico normal, em função da frequência e idade do início das crises. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativas(s)
Enxaqueca com falha a analgésicos simples → tentar AINEs/dipirona para crises; profilaxia se > 4 crises/mês ou impacto funcional.
A paciente apresenta critérios para enxaqueca. Após falha de analgésicos simples, a próxima etapa no tratamento agudo são os AINEs ou dipirona. A profilaxia é indicada para crises mais frequentes (>4/mês) ou com grande impacto funcional, o que não é o caso aqui (3x/mês). Exames de imagem não são rotina em enxaqueca com exame neurológico normal.
A enxaqueca é uma cefaleia primária comum, caracterizada por crises de dor de cabeça pulsátil, geralmente unilateral, de intensidade moderada a grave, acompanhada de sintomas como náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS). A paciente do caso apresenta um quadro típico de enxaqueca sem aura, com crises frequentes e refratárias a analgésicos simples. O tratamento agudo da enxaqueca segue uma abordagem escalonada. Após a falha de analgésicos simples como AAS e paracetamol, as próximas opções são os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou a dipirona. Se estes também falharem, os triptanos são a classe de escolha. A profilaxia da enxaqueca é indicada quando as crises são muito frequentes (geralmente > 4 por mês), incapacitantes, ou quando o tratamento agudo é ineficaz ou contraindicado. No caso, 3 crises/mês sem grande impacto funcional não justificam profilaxia imediata. Exames de neuroimagem (TC ou RM de crânio) não são rotineiramente indicados para pacientes com enxaqueca típica e exame neurológico normal. Eles são reservados para casos com 'red flags', como início súbito e explosivo, mudança no padrão da cefaleia, déficits neurológicos focais, papiledema, ou em pacientes com fatores de risco para doenças intracranianas. A idade de início (18 anos) e a frequência (3x/mês) não são, por si só, 'red flags' para justificar imagem.
A enxaqueca é diagnosticada clinicamente por crises de dor de cabeça pulsátil, unilateral, moderada a grave, acompanhada de náuseas/vômitos e/ou fotofobia/fonofobia, com duração de 4 a 72 horas.
A profilaxia é indicada quando as crises são muito frequentes (geralmente > 4 por mês), incapacitantes, ou quando o tratamento agudo é ineficaz, contraindicado ou usado em excesso.
Não, exames de neuroimagem (TC ou RM de crânio) não são rotineiramente indicados para pacientes com enxaqueca típica e exame neurológico normal, sendo reservados para casos com 'red flags' ou atipias.
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