Anafilaxia: Adrenalina como Tratamento de Primeira Escolha

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 28 anos de idade, procura pronto-socorro por iniciar edema de lábios há 30 minutos, evoluindo com prurido generalizado, cólicas abdominais e vômitos após consumo de crustáceos. Ao exame clínico: pressão arterial = 100 x 70 mmHg, frequência cardíaca = 97 batimentos/minuto, frequência respiratória = 24 incursões/minuto, exame cardiopulmonar sem alterações. Qual deve ser a abordagem de primeira escolha para essa jovem no pronto-socorro?

Alternativas

  1. A) Glucagon
  2. B) Adrenalina
  3. C) Difenidramina
  4. D) Prednisona

Pérola Clínica

Anafilaxia (edema, prurido, cólica, hipotensão) → Adrenalina IM é 1ª escolha.

Resumo-Chave

O quadro clínico de edema de lábios, prurido generalizado, cólicas abdominais, vômitos e hipotensão após exposição a um alérgeno conhecido (crustáceos) é altamente sugestivo de anafilaxia. A adrenalina intramuscular é a medicação de primeira escolha e mais importante no tratamento da anafilaxia, devendo ser administrada prontamente para reverter a progressão do choque.

Contexto Educacional

A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal, caracterizada por sintomas que afetam múltiplos sistemas orgânicos. O caso clínico descrito, com edema de lábios, prurido generalizado, cólicas abdominais, vômitos e hipotensão após ingestão de crustáceos, é um quadro clássico de anafilaxia, indicando uma resposta alérgica sistêmica grave. A fisiopatologia da anafilaxia envolve a liberação maciça de mediadores inflamatórios (como histamina, triptase, leucotrienos) por mastócitos e basófilos, resultando em vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, broncoespasmo e contração da musculatura lisa gastrointestinal. A hipotensão é um sinal de choque anafilático, uma emergência médica que requer intervenção imediata. A abordagem de primeira escolha para a anafilaxia é a administração imediata de adrenalina por via intramuscular. A adrenalina é a única medicação que atua em múltiplos receptores, revertendo a vasodilatação e o broncoespasmo, estabilizando a pressão arterial e inibindo a liberação de mediadores. Anti-histamínicos (como difenidramina) e corticoides (como prednisona) são terapias adjuvantes que podem aliviar alguns sintomas, mas não substituem a adrenalina e não devem atrasar sua administração. O glucagon pode ser considerado em pacientes que não respondem à adrenalina e estão em uso de betabloqueadores.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para anafilaxia?

Anafilaxia é diagnosticada pela presença de sintomas agudos envolvendo pele/mucosas (urticária, angioedema) e pelo menos um dos seguintes: comprometimento respiratório (dispneia, broncoespasmo), hipotensão ou sintomas de disfunção orgânica, ou sintomas gastrointestinais persistentes, após exposição a um alérgeno.

Por que a adrenalina é o tratamento de primeira escolha para anafilaxia?

A adrenalina é um agonista alfa e beta-adrenérgico que atua rapidamente, causando vasoconstrição (aumenta a PA), broncodilatação (melhora a respiração) e reduzindo a liberação de mediadores inflamatórios, revertendo os efeitos sistêmicos da anafilaxia.

Qual a dose e via de administração da adrenalina na anafilaxia?

A dose recomendada para adultos é de 0,3 a 0,5 mg de adrenalina 1:1000 (1 mg/mL) por via intramuscular na face anterolateral da coxa, podendo ser repetida a cada 5 a 15 minutos se necessário.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo