Sepse e Choque Séptico: Diagnóstico e Manejo Inicial

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022

Enunciado

Mulher 38 anos procura o pronto-socorro com quadro de dor lombar à direita, náusea e febre 38 graus. Recebe prescrição de ciprofloxacino e diclofenaco. Retorna à emergência 36 horas após com vômitos e mantendo dor lombar. Na admissão observa-se PA 89/63 mmHg, FC: 102 bpm, FR: 24 irpm, SpO2 92%, TAx: 38,1 graus. Ao exame apresenta lesões eritematosas em placas, pruriginosas em membros. Gasometria arterial mostra lactato de 3,0 mmol. Leucócitos 12.500; Cr 2,9; Ureia 50. Sobre o caso é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A presença de hipotensão e lesões urticariformes é insuficiente para o diagnóstico de choque anafilático
  2. B) A dosagem de procalcitonina permitiria distinguir entre choque séptico e anafilático
  3. C) O aumento das escórias nitrogenadas é compatível com distúrbio pré-renal, provavelmente necrose tubular aguda isquêmica.
  4. D) A presença de SIRS e lactato aumentado são compatíveis com o diagnóstico de sepse
  5. E) O uso de vasopressor está indicado pelo choque anafilático, sendo dispensável a realização de reposição volêmica

Pérola Clínica

SIRS + lactato aumentado + disfunção orgânica (Cr ↑) = Sepse, mesmo sem hipotensão inicial.

Resumo-Chave

A presença de SIRS (febre, taquicardia, taquipneia) e lactato aumentado, juntamente com disfunção orgânica (insuficiência renal aguda, como indicado por Cr e Ureia elevados), é compatível com o diagnóstico de sepse, mesmo que a hipotensão não esteja presente inicialmente, pois o choque séptico é um estágio mais avançado da sepse.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e potencialmente fatal, definida como uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. O choque séptico é um subconjunto da sepse em que as anormalidades circulatórias e metabólicas são profundas o suficiente para aumentar substancialmente a mortalidade. A identificação precoce e o manejo agressivo são pilares para melhorar os desfechos. O diagnóstico de sepse é clínico e baseado na suspeita de infecção e na presença de disfunção orgânica. A Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), embora inespecífica, ainda é útil para rastreamento, incluindo febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia e leucocitose ou leucopenia. Marcadores como o lactato sérico elevado (> 2 mmol/L) indicam hipoperfusão tecidual e são cruciais para avaliar a gravidade e guiar a ressuscitação. A disfunção orgânica pode se manifestar como insuficiência renal aguda (aumento de creatinina e ureia), alterações neurológicas, hepáticas, respiratórias ou cardiovasculares. O manejo da sepse e do choque séptico envolve um "pacote de horas" com medidas urgentes: coleta de culturas (hemoculturas, uroculturas, etc.), início rápido de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, ressuscitação volêmica com cristaloides (30 mL/kg nas primeiras 3 horas) e, se a hipotensão persistir, uso de vasopressores (noradrenalina como primeira escolha). A monitorização contínua dos sinais vitais, débito urinário e lactato é essencial. No caso apresentado, a paciente com pielonefrite, sinais de SIRS, lactato elevado e insuficiência renal aguda (Cr 2,9; Ureia 50) preenche os critérios para sepse, e a hipotensão (PA 89/63 mmHg) indica progressão para choque séptico, exigindo intervenção imediata.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de sepse?

Sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. Clinicamente, pode ser suspeitada pela presença de SIRS (febre/hipotermia, taquicardia, taquipneia, leucocitose/leucopenia) e evidência de disfunção orgânica.

Qual a importância do lactato sérico no diagnóstico e manejo da sepse?

O lactato sérico elevado (> 2 mmol/L) é um marcador de hipoperfusão tecidual e disfunção metabólica, sendo um indicador precoce de gravidade na sepse e choque séptico. Sua monitorização é crucial para guiar a ressuscitação volêmica e avaliar a resposta ao tratamento.

Como diferenciar choque séptico de choque anafilático?

Choque séptico é causado por infecção e resposta inflamatória sistêmica, com sinais de SIRS e disfunção orgânica. Choque anafilático é uma reação alérgica grave, com início rápido de sintomas como urticária, angioedema, broncoespasmo e hipotensão, geralmente após exposição a um alérgeno. A procalcitonina é mais elevada na sepse.

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