Sepse por Infecção Urinária: Diagnóstico e Gravidade

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 32 anos, procura a emergência com febre de 39ºC, disúria e dor lombar com alívio com paracetamol e dipirona sódica. Ao exame físico, apresenta regular estado geral, lúcida, orientada, mucosas descoradas, PA: 90/50 mmHg, FR: 24 mrpm e FC: 100 bpm. Leucócitos: 15.000/mm³ com 12% de bastonados. A creatinina sérica é normal, com TFG calculada de 95 ml/min. O exame qualitativo de urina demonstra nitrito positivo. Considerando o caso clínico descrito, afirma-se: I. O valor da PA não confere critério diagnóstico de sepse. II. Trata-se infecção de foco urinário com evidência de disfunção orgânica. III. Não está associado a um aumento de mortalidade hospitalar. Está/Estão CORRETA(S) apenas a(s) afirmativa(s):

Alternativas

  1. A) II.
  2. B) III.
  3. C) I e II.
  4. D) I e III.

Pérola Clínica

Sepse = infecção + disfunção orgânica (SOFA ≥ 2). Hipotensão não é critério isolado, mas indica choque séptico.

Resumo-Chave

A sepse é uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. A presença de um foco infeccioso (pielonefrite) e evidência de disfunção orgânica (taquicardia, taquipneia, hipotensão) confirmam o diagnóstico de sepse, que está associada a aumento da mortalidade.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome complexa e grave, definida como uma disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. É uma das principais causas de mortalidade e morbidade em hospitais globalmente. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. A infecção do trato urinário, como a pielonefrite, é um foco comum que pode evoluir para sepse. O diagnóstico de sepse, conforme Sepsis-3, requer a presença de uma infecção suspeita ou confirmada e evidência de disfunção orgânica, que pode ser avaliada pelo aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment). A disfunção orgânica pode se manifestar por alterações em diversos sistemas, como cardiovascular (hipotensão, taquicardia), respiratório (taquipneia, hipoxemia), renal (aumento da creatinina), neurológico (confusão mental) e hematológico (plaquetopenia). A hipotensão, embora não seja um critério isolado de sepse, é um sinal de gravidade e, se persistente e refratária a fluidos, caracteriza o choque séptico. A sepse está intrinsecamente associada a um aumento significativo da mortalidade hospitalar. O tratamento envolve a identificação e controle do foco infeccioso (antibioticoterapia empírica de amplo espectro, drenagem de abscessos), suporte hemodinâmico (fluidoterapia, vasopressores) e suporte de órgãos (ventilação mecânica, diálise). O reconhecimento rápido dos sinais de disfunção orgânica e a implementação de um pacote de medidas de tratamento nas primeiras horas são fundamentais para melhorar o prognóstico dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios atuais para o diagnóstico de sepse?

A sepse é definida como disfunção orgânica com risco de vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. Clinicamente, é diagnosticada por uma infecção suspeita ou confirmada e um aumento agudo de 2 ou mais pontos no escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment).

A hipotensão é um critério diagnóstico de sepse?

Não, a hipotensão por si só não é um critério diagnóstico de sepse. Ela é um critério para choque séptico, que é um subconjunto da sepse caracterizado por hipotensão persistente necessitando de vasopressores para manter PAM ≥ 65 mmHg e lactato sérico > 2 mmol/L, apesar de ressuscitação volêmica adequada.

Por que a sepse está associada a um aumento da mortalidade hospitalar?

A sepse leva a uma disfunção orgânica progressiva devido à resposta inflamatória desregulada e à hipoperfusão tecidual. Essa disfunção pode afetar múltiplos sistemas (renal, respiratório, cardiovascular, neurológico), resultando em falência de múltiplos órgãos e, consequentemente, um aumento significativo na mortalidade hospitalar.

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