Dispepsia com Disfagia: Quando Indicar Endoscopia?

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 35 anos procura atendimento devido a dispepsia. Relata que os sintomas iniciaram há 2 meses, acompanhados do relato de “dor e dificuldade para o alimento descer. Parece que fica entalado”. Nega hematêmese, melena, vômitos ou perda de peso. A conduta a ser adotada é

Alternativas

  1. A) prescrever inibidor de bomba de próton por 30 dias e reavaliar ao final deste período.
  2. B) prescrever inibidor de bomba de próton e domperidona por 30 dias.
  3. C) prescrever bloqueador H2 por 30 dias.
  4. D) orientar os hábitos alimentares e evitar medicar o paciente.
  5. E) solicitar endoscopia digestiva alta.

Pérola Clínica

Dispepsia + disfagia/odinofagia em paciente < 40 anos → Endoscopia Digestiva Alta (EDA) para excluir causas orgânicas.

Resumo-Chave

A presença de disfagia (dificuldade para o alimento descer) ou odinofagia (dor ao engolir), mesmo na ausência de outros sinais de alarme como perda de peso ou sangramento, em pacientes com dispepsia, justifica a investigação com endoscopia digestiva alta para descartar patologias orgânicas do esôfago e estômago.

Contexto Educacional

A dispepsia é uma queixa comum na prática clínica, caracterizada por dor ou desconforto na região epigástrica. Sua etiologia pode ser funcional ou orgânica, e a diferenciação é crucial para o manejo adequado. A epidemiologia mostra que a dispepsia afeta uma parcela significativa da população, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico. A presença de sintomas de alarme, como disfagia, odinofagia, perda de peso, anemia ou sangramento gastrointestinal, muda radicalmente a abordagem. Nesses casos, a investigação com endoscopia digestiva alta (EDA) é mandatória, independentemente da idade do paciente, para excluir condições graves como neoplasias, estenoses ou úlceras complicadas. A fisiopatologia da disfagia pode envolver alterações mecânicas ou motoras do esôfago, e a EDA permite a visualização direta e biópsia. O tratamento da dispepsia varia conforme a causa. Enquanto a dispepsia funcional pode ser manejada com modificações de estilo de vida e medicamentos como IBPs ou procinéticos, a dispepsia com sintomas de alarme exige o diagnóstico etiológico preciso antes de instituir a terapia definitiva. A não realização da EDA em casos de alarme pode atrasar o diagnóstico de doenças potencialmente graves, impactando negativamente o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas de alarme na dispepsia que indicam endoscopia?

Sintomas de alarme incluem disfagia, odinofagia, perda de peso inexplicada, anemia, sangramento gastrointestinal (hematêmese, melena), massa abdominal palpável e vômitos persistentes.

Por que a disfagia é um sintoma de alarme na dispepsia?

A disfagia sugere uma obstrução mecânica ou disfunção motora do esôfago, que pode ser causada por condições graves como estenoses pépticas, anéis esofágicos ou neoplasias, exigindo investigação imediata.

Qual a conduta inicial para dispepsia sem sintomas de alarme?

Em pacientes jovens (<40-45 anos) sem sintomas de alarme, a conduta inicial pode ser teste e tratamento para H. pylori ou terapia empírica com IBP, com reavaliação posterior.

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