Erisipela: Diagnóstico, Agente e Tratamento Ambulatorial

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 57 anos, procura ambulatório, com queixa de dor e vermelhidão no membro inferior esquerdo há dois dias. Refere um episódio de febre não medida. Antecedentes pessoais: obesidade, hipertensão arterial sistêmica e insuficiência venosa nos membros inferiores. Exame físico: área endurecida, edematosa, avermelhada, bem delimitada e dolorosa no dorso do pé esquerdo; sinais vitais normais. Em face do exposto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O tratamento deve ser sob regime de internação hospitalar, sendo os germes gram negativos os principais envolvidos.
  2. B) Trata-se de infecção, provavelmente pelo Streptococcus pyogenes, e o tratamento pode ser ambulatorial com cefalosporinas de primeira geração ou penicilinas.
  3. C) O risco de infecção por Staphylococcus aureus meticilina resistente é elevado, e está indicada internação e tratamento com vancomicina.
  4. D) O diagnóstico de celulite nessa paciente tem como agente mais provável o Staphylococcus aureus, e o tratamento deve ser feito com macrolídeo ou quinolona.
  5. E) Trata-se de paciente com risco elevado para infecção por anaeróbios. O tratamento de escolha deve ser feito com metronidazol.

Pérola Clínica

Erisipela: placa eritematosa bem delimitada, febre, dor → S. pyogenes → Penicilina/Cefalosporina 1ª geração.

Resumo-Chave

A erisipela é uma infecção cutânea superficial com envolvimento linfático, classicamente causada por Streptococcus pyogenes. A apresentação clínica com lesão bem delimitada e febre é típica, e o tratamento ambulatorial com antibióticos como penicilinas ou cefalosporinas de primeira geração é a conduta padrão para casos não complicados.

Contexto Educacional

A erisipela é uma infecção bacteriana aguda da derme e dos vasos linfáticos superficiais, comum na prática clínica e importante para a formação do residente. Sua incidência é maior em pacientes com fatores de risco como obesidade, insuficiência venosa crônica, linfedema e lesões de pele. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações. A fisiopatologia envolve a entrada de bactérias através de pequenas lesões na pele, resultando em inflamação e infecção. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na apresentação característica de uma lesão eritematosa, edematosa, quente, dolorosa e bem delimitada, frequentemente no membro inferior, acompanhada de sintomas sistêmicos como febre. A diferenciação com celulite, que é uma infecção mais profunda e com bordas menos definidas, é um ponto chave. O tratamento da erisipela, na maioria dos casos, pode ser ambulatorial. A escolha do antibiótico deve cobrir o Streptococcus pyogenes, o agente etiológico mais comum. Penicilinas (como a penicilina G procaína ou benzatina) e cefalosporinas de primeira geração (como a cefalexina) são as opções preferenciais. Em casos de alergia à penicilina, macrolídeos podem ser considerados. O manejo de fatores de risco subjacentes, como a insuficiência venosa, também é importante para prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da erisipela?

A erisipela manifesta-se com uma placa eritematosa, edematosa, quente e dolorosa, com bordas bem delimitadas, frequentemente acompanhada de febre e calafrios. Pode haver linfangite e linfadenite regional.

Qual o principal agente etiológico da erisipela e o tratamento de escolha?

O principal agente etiológico da erisipela é o Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). O tratamento de escolha é penicilina cristalina ou procaína, ou cefalosporinas de primeira geração para pacientes alérgicos à penicilina.

Quando a erisipela requer internação hospitalar?

A internação é indicada para casos graves com sinais de sepse, falha do tratamento ambulatorial, imunocomprometimento significativo, rápida progressão da lesão ou presença de comorbidades descompensadas, como diabetes mellitus grave.

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