Acalásia Esofágica: Diagnóstico Diferencial e Manejo

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 42 anos de idade, previamente hígida, em investigação ambulatorial de disfagia de início há seis meses. Relata utilizar líquidos para auxílio da deglutição de alimentos sólidos há dois meses, com episódios de regurgitação noturna no último mês. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, normocorada, IMC = 23 kg/m². Sem alterações ao exame físico. Realizou endoscopia, sem evidências de lesões tumorais. Prosseguiu a investigação com exame complementar, ilustrado a seguir: Considerando os dados apresentados, qual é a principal hipótese diagnóstica para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Doença do refluxo gastroesofágico.
  2. B) Hérnia de hiato por deslizamento.
  3. C) Acalásia.
  4. D) Esofagite eosinofílica.

Pérola Clínica

Disfagia progressiva + Regurgitação + Endoscopia normal → Pensar em Acalásia.

Resumo-Chave

A acalásia é um distúrbio motor primário do esôfago caracterizado pela ausência de peristalse e falha no relaxamento do esfíncter esofágico inferior.

Contexto Educacional

A acalásia resulta da degeneração dos neurônios do plexo mioentérico (Auerbach) na parede esofágica. No Brasil, a Doença de Chagas é uma causa importante (megaesôfago chagásico), embora a forma idiopática seja comum mundialmente. Clinicamente, manifesta-se por disfagia para sólidos e líquidos, regurgitação, perda de peso e dor retroesternal. O tratamento visa reduzir a pressão do esfíncter esofágico inferior para facilitar o esvaziamento esofágico por gravidade. As opções incluem dilatação pneumática, miotomia de Heller (geralmente associada a fundoplicatura) e o POEM (Miotomia Endoscópica Peroral), dependendo do tipo de acalásia e perfil do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual o exame padrão-ouro para diagnóstico de acalásia?

O padrão-ouro é a esofagomanometria (preferencialmente de alta resolução). Ela demonstra a ausência de relaxamento completo do esfíncter esofágico inferior (EEI) em resposta à deglutição e a ausência de ondas peristálticas organizadas no corpo esofágico, permitindo inclusive a classificação de Chicago (Tipos I, II ou III).

Por que realizar endoscopia digestiva alta na suspeita de acalásia?

A endoscopia digestiva alta (EDA) é obrigatória para excluir causas mecânicas de obstrução, como o câncer de esôfago ou de cárdia (pseudoacalásia), especialmente em pacientes mais velhos ou com perda de peso rápida. Na acalásia idiopática, a EDA pode ser normal ou mostrar apenas resíduos alimentares e resistência à passagem do aparelho pelo cárdia.

Quais são os achados no esofagograma contrastado?

No esofagograma (estudo contrastado de esôfago, estômago e duodeno), os achados clássicos incluem a dilatação do corpo esofágico, a presença de nível hidroaéreo e o afilamento distal em 'bico de pássaro' ou 'cauda de rato', refletindo a hipertonia do esfíncter esofágico inferior.

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