Psoríase: Diagnóstico Clínico e Sinais Chave

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 45 anos de idade, apresenta há 8 anos lesões eritematosas e descamativas, bem delimitadas, com eritema vermelho vivo e escamas branco prateadas aderentes e esparsas no couro cabeludo, região sacral, cotovelos e joelhos. Sinal da vela e do orvalho sangrento estão presentes. Apresenta história de monoartrite de articulação interfalangeana proximal no 3° quirodáctilo direito. Qual é o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Lúpus eritematoso cutâneo crônico.
  2. B) Psoríase.
  3. C) Artrite reumatoide.
  4. D) Dermatite seborreica.

Pérola Clínica

Psoríase: placas eritemato-descamativas com escamas prateadas em áreas extensoras + sinais da vela/orvalho sangrento + artrite.

Resumo-Chave

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por lesões eritematosas e descamativas com escamas branco-prateadas, classicamente em áreas extensoras. A presença dos sinais da vela e do orvalho sangrento (Auspitz) são achados típicos, e a associação com artrite (artrite psoriásica) é comum, afetando articulações periféricas e axiais.

Contexto Educacional

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, imunomediada, que afeta principalmente a pele e as articulações. Sua prevalência varia globalmente, afetando cerca de 1-3% da população. É caracterizada por uma proliferação acelerada dos queratinócitos, resultando em lesões cutâneas típicas. A importância clínica reside não apenas nos sintomas cutâneos, mas também nas comorbidades associadas, como a artrite psoriásica e o risco cardiovascular aumentado. A fisiopatologia da psoríase envolve uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais, levando a uma disfunção imunológica com ativação de células T e liberação de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-17, IL-23). O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na morfologia e distribuição das lesões: placas eritematosas, bem delimitadas, com escamas branco-prateadas, localizadas em áreas extensoras (cotovelos, joelhos), couro cabeludo e região sacral. Sinais semiológicos como o sinal da vela (desprendimento fácil das escamas) e o sinal do orvalho sangrento (sangramento puntiforme após remoção das escamas, também conhecido como sinal de Auspitz) são patognomônicos. A artrite psoriásica, presente em até 30% dos pacientes, pode manifestar-se como monoartrite, oligoartrite ou poliartrite, frequentemente afetando as articulações interfalangeanas distais e proximais, e pode levar a deformidades. O tratamento da psoríase é individualizado e depende da gravidade e extensão da doença, podendo incluir terapias tópicas (corticosteroides, análogos da vitamina D), fototerapia e terapias sistêmicas (metotrexato, ciclosporina, acitretina) ou biológicos (anti-TNF, anti-IL-17, anti-IL-23). O prognóstico é variável, com períodos de remissão e exacerbação. É crucial o manejo multidisciplinar para abordar as manifestações cutâneas, articulares e as comorbidades, melhorando a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características das lesões de psoríase?

As lesões de psoríase são tipicamente placas eritematosas, bem delimitadas, cobertas por escamas branco-prateadas, secas e aderentes. As localizações mais comuns são couro cabeludo, cotovelos, joelhos e região sacral.

O que são o sinal da vela e o sinal do orvalho sangrento?

O sinal da vela é a facilidade de remoção das escamas por raspagem, que se desprendem como cera de vela. O sinal do orvalho sangrento (ou sinal de Auspitz) é o sangramento puntiforme que ocorre após a remoção completa das escamas, devido à exposição das papilas dérmicas.

Como a artrite psoriásica se manifesta?

A artrite psoriásica é uma espondiloartrite que pode afetar articulações periféricas (como interfalangeanas proximais, causando dactilite) e axiais, com rigidez matinal e dor. Pode preceder ou seguir as lesões cutâneas.

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