USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Mulher, 45 anos, apresenta há 2 anos lesão eritematosa, infiltrada, bem delimitada no antebraço esquerdo, conforme figura apresentada. Peso de 67 kg. Testes realizados demonstraram sensibilidades térmica, dolorosa e tátil diminuídas. Considerando o achado mais provável, assinale qual a orientação em relação aos contactantes da paciente.
Lesão de pele com alteração de sensibilidade → Hanseníase até que se prove o contrário.
O controle de contatos na hanseníase exige avaliação clínica dermatoneurológica de todos que conviveram com o paciente nos últimos 5 anos.
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, com alta endemicidade em diversas regiões do Brasil. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de lesões cutâneas com alteração de sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) e/ou comprometimento de nervos periféricos. A estratégia de controle baseia-se no diagnóstico precoce, tratamento oportuno com poliquimioterapia (PQT) e exame dos contatos para detecção de casos secundários. A vigilância de contatos é uma das ações mais custo-efetivas no controle da hanseníase. A diretriz do Ministério da Saúde enfatiza que todos os contatos (domiciliares e sociais próximos) devem ser avaliados. A definição de contato domiciliar abrange aqueles que conviveram nos últimos 5 anos, refletindo o longo período de incubação do bacilo. A avaliação neurológica simplificada e o exame da pele são soberanos, superando a necessidade de testes rápidos ou baciloscopia para a triagem inicial de contatos assintomáticos.
É considerada toda pessoa que resida ou tenha residido com o paciente de hanseníase nos últimos cinco anos anteriores ao diagnóstico da doença, independentemente da classificação operacional do caso índice (Paucibacilar ou Multibacilar). A vigilância visa identificar precocemente novos casos e interromper a cadeia de transmissão, sendo a avaliação clínica o pilar fundamental desse processo.
A conduta inicial obrigatória é a avaliação clínica dermatoneurológica minuciosa. Caso não apresentem sinais ou sintomas da doença, deve-se proceder à aplicação da vacina BCG conforme o histórico vacinal do contato (geralmente uma dose se não houver cicatriz ou se houver apenas uma). Se houver sinais suspeitos, o contato passa a ser investigado como caso suspeito e não recebe a vacina no momento.
Embora a avaliação inicial ocorra no momento do diagnóstico do caso índice, os contatos devem ser orientados sobre o período de incubação longo da doença (média de 2 a 7 anos) e instruídos a realizar o autoexame e procurar o serviço de saúde caso surjam lesões de pele com alteração de sensibilidade ou dormência em trajetos nervosos.
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