Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo no Pós-Operatório

IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 69 anos, hipertensa, diabética e sem antecedentes psiquiátricos apresentou, no segundo dia após mastectomia por câncer mamário, inquietação, desorientação temporo-espacial, discurso incoerente, alucinações visuais, ideação delirante de cunho paranoide e deficit de memória de fixação. O quadro oscila durante o dia, apresentando períodos de melhora durante o dia e piora ao final da tarde ou noite. O diagnóstico mais provável, segundo a CID 10, é:

Alternativas

  1. A) transtorno psicótico agudo e transitório.
  2. B) transtorno delirante induzido.
  3. C) transtorno esquizotípico.
  4. D) delirium não induzido pelo álcool ou por outras substâncias psicoativas.

Pérola Clínica

Delirium: início agudo, flutuação, desorientação, alucinações visuais, piora noturna em idoso com comorbidades.

Resumo-Chave

O delirium é uma emergência médica caracterizada por uma alteração aguda e flutuante da atenção e da cognição, frequentemente acompanhada de distúrbios do ciclo sono-vigília e alucinações visuais. É comum em idosos hospitalizados, especialmente no pós-operatório, e deve-se sempre investigar causas orgânicas subjacentes.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e reversível, caracterizada por uma perturbação da atenção, consciência e cognição, com início súbito e curso flutuante. É uma condição comum em pacientes hospitalizados, especialmente idosos, e representa uma emergência médica devido ao seu impacto negativo no prognóstico, aumentando a morbidade, mortalidade e tempo de internação. O reconhecimento precoce é fundamental. A fisiopatologia do delirium é complexa e multifatorial, envolvendo desregulação de neurotransmissores (principalmente acetilcolina e dopamina), inflamação sistêmica e disfunção cerebral. Fatores precipitantes incluem cirurgias, infecções, desidratação, polifarmácia, abstinência de substâncias e distúrbios metabólicos. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sintomas e na exclusão de outras condições. O manejo do delirium envolve a identificação e tratamento da causa subjacente, além de medidas de suporte e controle dos sintomas. Intervenções não farmacológicas são prioritárias, como reorientação, otimização do ambiente e manutenção do ciclo sono-vigília. O uso de antipsicóticos deve ser reservado para agitação grave que coloque o paciente ou a equipe em risco, sempre com cautela devido aos efeitos adversos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para delirium?

Os critérios incluem alteração aguda e flutuante da atenção e consciência, distúrbio cognitivo adicional (memória, desorientação, linguagem), e evidência de que a perturbação é causada por uma condição médica geral ou substância.

Quais são os fatores de risco mais comuns para o desenvolvimento de delirium em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades (HAS, DM, insuficiência renal), polifarmácia, cirurgias (especialmente de grande porte), infecções, desidratação, privação de sono e alterações eletrolíticas.

Como diferenciar delirium de demência?

O delirium tem início agudo, curso flutuante (piora noturna), alteração da atenção proeminente e é geralmente reversível com tratamento da causa subjacente. A demência tem início insidioso, curso crônico e progressivo, e a atenção é geralmente preservada no início.

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