Adenomiose: Diagnóstico Clínico e por Ultrassonografia

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 42 anos, G3P2A1, método anticoncepcional: laqueadura tubária, DUM há 12 dias, procura atendimento ginecológico com queixa de sangramento uterino aumentado há 6 meses, com aumento do fluxo, permanecendo cerca de 6 a 7 dias com sangramento associado à dismenorreia moderada. Ao exame físico: PA: 120×70mmHg, FC: 78bpm, abdome plano, normotenso e indolor à palpação. Especular: colo róseo, sem lesões ou conteúdo anormal. Toque: colo cartilaginoso, centrado, indolor à mobilização, útero centrado em Anteversoflexão (AVF), globoso e aumentado de tamanho. Exames complementares: Hb: 11,2g/dl; Ht: 30%; USTV: útero AVF, centrado, volume de 195cm³. Ovário esquerdo: 4,2cm³, ovário direito: 5,7cm³, representado na figura. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Adenomiose.
  2. B) Endometriose.
  3. C) Hiperplasia endometrial.
  4. D) Leiomiomatose.

Pérola Clínica

Menorragia + dismenorreia secundária + útero globoso/aumentado = Adenomiose.

Resumo-Chave

A adenomiose é caracterizada pela presença de tecido endometrial no miométrio, causando sangramento uterino aumentado (menorragia), dismenorreia secundária e um útero difusamente aumentado e globoso. A ultrassonografia transvaginal é a ferramenta diagnóstica inicial.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica comum, caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometrial dentro do miométrio, a camada muscular do útero. Afeta principalmente mulheres em idade reprodutiva, sendo uma causa importante de sangramento uterino anormal e dor pélvica, impactando significativamente a qualidade de vida e a saúde reprodutiva. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva a invaginação do endométrio basal no miométrio. O diagnóstico é fortemente sugerido pela tríade de menorragia, dismenorreia secundária e um útero difusamente aumentado e globoso ao exame físico. A ultrassonografia transvaginal é a modalidade de imagem de primeira linha, revelando achados característicos como miométrio heterogêneo e cistos miometriais. O tratamento da adenomiose varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o desejo de gravidez da paciente. Opções incluem terapia hormonal (progestagênios, DIU hormonal), anti-inflamatórios não esteroides para dor, e em casos refratários ou quando a fertilidade não é uma preocupação, a histerectomia é o tratamento definitivo. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, embora a condição possa ser crônica e recorrente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da adenomiose?

Os sintomas clássicos da adenomiose incluem menorragia (sangramento menstrual intenso e prolongado), dismenorreia secundária (dor menstrual que piora com o tempo) e, por vezes, dor pélvica crônica.

Como a ultrassonografia transvaginal auxilia no diagnóstico de adenomiose?

A USTV pode revelar um útero aumentado e globoso, miométrio heterogêneo, cistos miometriais, estrias subendometriais e espessamento assimétrico das paredes uterinas, que são achados sugestivos de adenomiose.

Qual a diferença entre adenomiose e endometriose?

Ambas envolvem tecido endometrial ectópico, mas na adenomiose ele está dentro do miométrio, causando útero globoso e dismenorreia. Na endometriose, o tecido está fora do útero (peritônio, ovários), causando dor pélvica crônica e infertilidade, sem necessariamente aumentar o útero.

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