Adenomiose: Diagnóstico em Sangramento Uterino Anormal

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 35 anos, G3P2A0, três cesáreas prévias, com história de sangramento uterino de 9 dias de duração, com intervalo cíclico mensal regular e de grande volume que extravasa do absorvente, desde última cesárea ha8 anos. Associado quadro de cólicas incapacitantes em baixo ventre, progressiva, que intensifica nos primeiros 3 dias de fluxo necessitando de AINEs. Refere anemia crônica e fraqueza. Realizou ultrassonografia pélvica transvaginal que excluiu a possibilidade de leiomiomas e mostrou um útero aparentemente normal. Assinale a assertiva correta que corresponde à causa mais provável do sangramento uterino anormal.

Alternativas

  1. A) Endometrite.
  2. B)  Adenomiose.
  3. C) Coagulopatia.
  4. D) Anovulação crônica.

Pérola Clínica

G3P2A0, 3 cesáreas, SUA + dismenorreia intensa, USG normal para leiomiomas → Adenomiose.

Resumo-Chave

A adenomiose é uma causa comum de sangramento uterino anormal e dismenorreia severa em mulheres multíparas, especialmente com histórico de cesarianas. Mesmo com ultrassonografia 'normal' para leiomiomas, a adenomiose pode ser sutil e é a principal suspeita nesse cenário clínico.

Contexto Educacional

A adenomiose é uma condição ginecológica caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico dentro do miométrio, a camada muscular do útero. É uma causa comum de sangramento uterino anormal (SUA) e dismenorreia secundária, afetando principalmente mulheres multíparas na perimenopausa, mas pode ocorrer em qualquer idade reprodutiva. Sua prevalência é subestimada devido à dificuldade diagnóstica. A fisiopatologia envolve a invasão do endométrio basal no miométrio, onde responde aos hormônios ovarianos, resultando em sangramento e inflamação local. O histórico de múltiplas cesarianas é um fator de risco significativo, pois o trauma cirúrgico pode criar uma via para essa invasão. Clinicamente, a paciente apresenta sangramento menstrual intenso e prolongado (menorragia), cólicas menstruais severas e progressivas, e muitas vezes anemia crônica. O diagnóstico da adenomiose é desafiador. Embora a ultrassonografia pélvica transvaginal seja o exame de primeira linha, os achados podem ser sutis (útero globoso, heterogêneo, cistos miometriais) e, em alguns casos, o exame pode ser interpretado como 'normal' para leiomiomas. A ressonância magnética pélvica oferece maior acurácia diagnóstica. O tratamento pode variar de manejo sintomático (AINEs, contraceptivos hormonais) a opções cirúrgicas, como a histerectomia, que é curativa.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da adenomiose?

Os sintomas clássicos da adenomiose incluem sangramento uterino anormal (menorragia ou metrorragia), dismenorreia intensa e progressiva, e dor pélvica crônica. O útero pode estar aumentado e doloroso à palpação.

Como o histórico de cesáreas se relaciona com a adenomiose?

O histórico de cesáreas é um fator de risco importante para adenomiose, pois o trauma cirúrgico na parede uterina pode facilitar a invasão do endométrio no miométrio, levando ao desenvolvimento da condição.

Quais exames de imagem são mais eficazes para diagnosticar adenomiose?

Embora a ultrassonografia transvaginal seja o exame inicial, a ressonância magnética pélvica é considerada o padrão ouro para o diagnóstico não invasivo da adenomiose, oferecendo maior sensibilidade e especificidade na identificação das lesões miometriais.

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