UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher, 30 anos, G1P0, idade gestacional de 41 semanas, sem comorbidades, admitida em trabalho de parto. Durante a assistência obstétrica, foi preciso indicar cesariana por parada secundária da dilatação. A respeito do uso do partograma, assinale a alternativa que apresenta o que é correto afirmar nesse caso.
Curvas de Zhang (2010) → Fase latente e ativa mais lentas que Friedman, independente da paridade.
As curvas de trabalho de parto propostas por Zhang e colaboradores (2010) demonstram que a progressão da fase latente para a fase ativa, e a própria fase ativa, são mais lentas do que as curvas clássicas de Friedman (1955), tanto em primíparas quanto em multíparas, refletindo uma visão mais fisiológica e menos intervencionista do trabalho de parto.
O partograma é uma ferramenta gráfica essencial na assistência obstétrica, utilizada para monitorar a evolução do trabalho de parto, identificar desvios da normalidade e indicar intervenções oportunas. Historicamente, as curvas de Friedman (1955) foram a base para a interpretação do partograma, definindo a fase latente e ativa e as taxas de dilatação cervical. No entanto, essas curvas têm sido questionadas por sua rigidez e por potencialmente levar a intervenções excessivas. Mais recentemente, estudos como os de Zhang e colaboradores (2010) propuseram novas curvas de trabalho de parto, baseadas em uma coorte mais contemporânea de mulheres com partos espontâneos e sem intervenções. As curvas de Zhang demonstram que a progressão do trabalho de parto, tanto na fase latente quanto na fase ativa, é significativamente mais lenta do que o proposto por Friedman, e essa lentidão é observada independentemente da paridade da paciente. Por exemplo, a fase ativa pode iniciar mais tardiamente (com maior dilatação) e progredir a uma taxa menor do que os 1 cm/hora ou 1,2 cm/hora tradicionalmente aceitos. A adoção das curvas de Zhang no entendimento do partograma permite uma abordagem mais fisiológica e menos intervencionista do trabalho de parto. Ao reconhecer que a progressão pode ser mais lenta do que se pensava, os profissionais de saúde podem reduzir a incidência de diagnósticos de "parada de progressão" ou "fase ativa prolongada" que não se justificam, diminuindo a taxa de cesarianas desnecessárias e promovendo uma assistência mais humanizada e baseada em evidências.
As curvas de Friedman, mais antigas, sugerem uma progressão mais rápida do trabalho de parto, especialmente na fase ativa. As curvas de Zhang, mais recentes, demonstram que a fase latente e a fase ativa são mais lentas, tanto em primíparas quanto em multíparas, refletindo uma fisiologia mais prolongada do parto.
As curvas de Zhang são baseadas em estudos com mulheres que tiveram partos espontâneos e sem intervenções desnecessárias, o que as torna mais representativas da fisiologia natural do trabalho de parto, em contraste com os dados de Friedman que podem ter sido influenciados por práticas obstétricas da época.
A compreensão das curvas de Zhang ajuda a evitar diagnósticos prematuros de distocia e intervenções desnecessárias, como cesarianas por "parada de progressão" baseadas em critérios muito rígidos. Permite uma abordagem mais paciente e menos intervencionista, respeitando o tempo fisiológico de cada mulher.
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