PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023
Mulher, 20 anos de idade, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento duas horas após episódio de crise tônico-clônica generalizada. Refere ser o segundo episódio, tendo o primeiro ocorrido há dois meses. Nega comorbidades, trauma, uso de álcool, tabaco ou drogas ilícitas. Faz uso apenas de contraceptivo oral. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, sinais vitais estáveis. Exame segmentar e neurológico sem achados. Realizada tomografia computadorizada de crânio sem alterações.Indique a melhor conduta terapêutica a ser realizada, neste momento, na paciente:
≥ 2 crises não provocadas (> 24h) = diagnóstico de epilepsia → iniciar DAE considerando interações.
O diagnóstico de epilepsia é clínico, definido por duas ou mais crises não provocadas. A escolha do fármaco deve considerar o perfil da paciente, especialmente o uso de anticoncepcionais orais devido a interações farmacocinéticas.
A epilepsia é uma das condições neurológicas mais comuns, caracterizada por uma predisposição persistente a gerar crises epilépticas. Segundo a ILAE, o diagnóstico pode ser feito com duas crises não provocadas ocorrendo com mais de 24 horas de intervalo. O manejo inicial foca na segurança do paciente e na escolha de uma Droga Antiepiléptica (DAE) que minimize efeitos colaterais e interações. Em mulheres jovens, a interação com anticoncepcionais hormonais é crítica. Medicamentos como a lamotrigina têm seu metabolismo acelerado pelo etinilestradiol, enquanto indutores enzimáticos reduzem a eficácia do contraceptivo, aumentando o risco de gravidez indesejada. O levetiracetam surge como uma opção segura por possuir poucas interações medicamentosas.
O tratamento geralmente não é iniciado após uma única crise isolada, a menos que haja alto risco de recorrência (ex: lesão estrutural na RM ou atividade epileptiforme no EEG). No entanto, após a segunda crise não provocada ocorrendo com intervalo superior a 24 horas, o diagnóstico de epilepsia é estabelecido e o tratamento medicamentoso está indicado para reduzir o risco de novos eventos e morbidade associada.
Fármacos indutores enzimáticos do citocromo P450, como fenitoína, carbamazepina, fenobarbital e doses elevadas de topiramato, aumentam o metabolismo dos hormônios esteroides, reduzindo a eficácia dos anticoncepcionais orais. Por outro lado, o uso de estrogênio pode reduzir os níveis séricos de lamotrigina. Nesses casos, prefere-se o uso de levetiracetam ou valproato (com cautela em mulheres em idade fértil) ou métodos contraceptivos de barreira/DIU.
A neuroimagem de urgência (preferencialmente TC na emergência ou RM ambulatorial) visa excluir causas secundárias agudas, como hemorragias, tumores, abscessos ou áreas de isquemia. Se a TC for normal e o exame neurológico também, a investigação prossegue com EEG e RM para melhor caracterização da síndrome epiléptica, mas a recorrência clínica já autoriza o início da terapia.
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