Investigação de Crise Convulsiva: Quando Solicitar EEG?

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 20 anos de idade, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento duas horas após episódio de crise tônico-clônica generalizada. Refere ser o segundo episódio, tendo o primeiro ocorrido há dois meses. Nega comorbidades, trauma, uso de álcool, tabaco ou drogas ilícitas. Faz uso apenas de contraceptivo oral. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, sinais vitais estáveis. Exame segmentar e neurológico sem achados. Realizada tomografia computadorizada de crânio sem alterações.Com base no quadro descrito, indique o exame complementar mais adequado neste momento:

Alternativas

  1. A) Ressonância nuclear magnética de crânio.
  2. B) Eletroencefalograma.
  3. C) Angiotomografia computadorizada de crânio.
  4. D) Exame de líquor.

Pérola Clínica

2ª crise não provocada + TC normal → EEG para estratificação de risco e classificação.

Resumo-Chave

Após excluir causas agudas por neuroimagem, o EEG é o exame de escolha para identificar atividade epileptiforme e definir o risco de recorrência em pacientes com crises repetidas.

Contexto Educacional

A investigação de uma crise epiléptica em adultos começa pela exclusão de causas provocadas (distúrbios metabólicos, abstinência, infecções). Uma vez que o paciente apresenta crises recorrentes não provocadas, o diagnóstico de epilepsia é estabelecido clinicamente. O papel dos exames complementares muda: a neuroimagem (TC ou preferencialmente RM) busca causas estruturais, enquanto o EEG busca evidências funcionais de hiperexcitabilidade cortical. Neste caso clínico, a paciente já apresenta a segunda crise, o que preenche o critério diagnóstico clássico de epilepsia. Como a TC inicial foi normal, o próximo passo lógico é o EEG para tentar localizar o foco ou classificar a síndrome epiléptica, o que influencia diretamente na escolha do fármaco antiepiléptico mais adequado.

Perguntas Frequentes

Qual a utilidade do EEG após a primeira crise epiléptica?

O EEG é fundamental para determinar o risco de recorrência de novas crises e para classificar o tipo de epilepsia (focal ou generalizada). A presença de descargas epileptiformes aumenta significativamente a probabilidade de uma segunda crise, auxiliando na decisão de iniciar ou não o tratamento medicamentoso profilático.

Uma TC de crânio normal afasta o diagnóstico de epilepsia?

Não. A tomografia computadorizada (TC) de crânio em pacientes com crises convulsivas serve primordialmente para excluir lesões estruturais agudas, como hemorragias, tumores volumosos ou neurocisticercose. A epilepsia é um diagnóstico clínico-funcional, e muitos pacientes apresentam neuroimagem estrutural completamente normal.

Quando indicar Ressonância Magnética (RM) em vez de TC?

A RM é o exame de imagem preferencial na investigação ambulatorial da epilepsia por possuir maior sensibilidade para detectar lesões pequenas e epileptogênicas, como a esclerose mesial temporal, displasias corticais e pequenos tumores, que frequentemente passam despercebidos na TC.

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