Delirium em Idosos: Diagnóstico e Manejo da Confusão Aguda

PSU PRMMT - Processo Seletivo Unificado de Residência Médica do MT — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 75 anos dá entrada no pronto atendimento trazida por familiares com quadro de confusão mental e agitação psicomotora que iniciou há 3 dias. Portadora de osteoartrose de joelhos em uso de Biprofenid 150mg 12/12h além do Pantoprazol 20mg/dia para proteção gástrica. Filha relata ainda que há 1 mês mãe iniciou uso de Clonazepam 5 gotas devido insônia além da Sertralina 50mg/dia que já fazia uso para depressão. Exame físico e laboratoriais sem alterações. A hipótese diagnóstica e conduta são:

Alternativas

  1. A) por se tratar de um quadro de demência, as medicações em uso devem ser mantidas e associar antipsicótico como Quetiapina para controle da confusão mental.
  2. B) por se tratar de um quadro de delirium, o uso de benzodiazepínico em doses baixas está indicado para controle de agitação psicomotora.
  3. C) por se tratar de um quadro de demência, deve-se suspender a Sertralina e iniciar anticolinesterásico como Donepezila para controle dos sintomas.
  4. D) por se tratar de um quadro de delirium, deve-se corrigir fatores precipitantes como por exemplo suspensão do Clonazepam.

Pérola Clínica

Idoso com confusão aguda + polifarmácia → suspeitar de Delirium. Prioridade: identificar e corrigir fatores precipitantes (medicações).

Resumo-Chave

Delirium é uma alteração aguda e flutuante da atenção e cognição, comum em idosos e frequentemente precipitada por medicamentos (especialmente benzodiazepínicos, anticolinérgicos, opioides). A conduta inicial e mais importante é identificar e remover os fatores causais ou precipitantes, como a suspensão do Clonazepam neste caso.

Contexto Educacional

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbios da atenção, consciência e cognição. É particularmente prevalente em pacientes idosos hospitalizados e representa uma emergência médica devido ao seu impacto negativo no prognóstico, aumentando a morbidade e mortalidade, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, e frequentemente envolve a identificação de fatores precipitantes. A polifarmácia, especialmente o uso de benzodiazepínicos como o Clonazepam, é uma causa comum em idosos, que possuem metabolismo e eliminação de drogas alterados, tornando-os mais vulneráveis aos efeitos adversos, como a confusão mental e agitação. A conduta primordial no delirium é a identificação e correção dos fatores etiológicos. Isso inclui a suspensão de medicamentos desnecessários ou precipitantes, tratamento de infecções, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos. O tratamento farmacológico da agitação, se necessário, deve ser cauteloso e geralmente com antipsicóticos de baixa dose, evitando benzodiazepínicos, que podem piorar o quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para delirium?

Os critérios do DSM-5 incluem: distúrbio da atenção e consciência, alteração aguda e flutuante, distúrbio cognitivo adicional, e evidência de que a alteração é causada por uma condição médica ou substância, como medicamentos.

Quais medicamentos são comuns precipitantes de delirium em idosos?

Benzodiazepínicos (como Clonazepam), anticolinérgicos (ex: alguns anti-histamínicos, antiespasmódicos), opioides, corticosteroides e alguns antidepressivos podem precipitar ou agravar o delirium em idosos, devido à sua maior sensibilidade e metabolismo alterado.

Qual a primeira medida no manejo de um paciente com delirium?

A primeira e mais crucial medida é identificar e corrigir os fatores precipitantes, como infecções, desidratação, distúrbios metabólicos ou medicamentos, antes de considerar o tratamento sintomático da agitação, que deve ser feito com cautela.

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